O filme Era Uma Vez Minha 1ª Vez, adaptação da obra de Thalita Rebouças dirigida por Claudia Castro, chegou aos cinemas com uma proposta que ultrapassa a representação das primeiras experiências sexuais. A produção acompanha quatro amigas e coloca no centro da narrativa a força dos vínculos femininos, os conflitos da adolescência e o processo de amadurecimento.
Teresa, Clara, Tuca e Patty estabelecem uma meta em comum: deixar de ser virgens antes da formatura. Interpretadas por Letícia Braga, Castorine, Lívia Silva e Duda Matte, as personagens enfrentam expectativas, inseguranças e descobertas relacionadas à própria sexualidade. A trajetória do grupo, porém, não apresenta um momento universalmente correto para essas experiências.
Para Thalita Rebouças, as questões ligadas à insegurança e à amizade aparecem antes do sexo. A escritora afirma que a história aborda o antes e o depois das escolhas, além da pressão e do pacto entre as personagens. As primeiras experiências funcionam como pano de fundo para uma jornada de autoconhecimento, na qual as amigas também aprendem a reconhecer seus próprios limites.
Claudia Castro define a produção como uma história sobre amizade, limites e descoberta de si a partir do contato com a outra pessoa. A diretora destaca que as amizades femininas podem atravessar diferentes fases da vida e que, apesar dos conflitos entre as protagonistas, a mensagem do filme reforça a união e rejeita a rivalidade.
Uma nova leitura para a história
Escrito por Thalita há 15 anos, o livro passou por mudanças na adaptação para o cinema. Entre elas está a ampliação da diversidade presente na narrativa, incluindo um beijo entre duas mulheres descritas pela autora como poderosas e donas de si.
A escritora afirma que a essência das personagens foi preservada, embora o audiovisual tenha permitido acrescentar elementos e desenvolver novas possibilidades para as mesmas figuras. O elenco também reúne Cauã Martins, Caian Zattar, Cintia Rosa, Pedro Ogata, JP Rufino e Duda Pimenta.
Para Claudia, adaptar um livro exige decidir o que permanece e o que precisa ser retirado. Não é possível transportar toda a obra para a tela; o filme precisa construir uma narrativa própria, com uma trajetória completa. A familiaridade com o tema e com os personagens, segundo a diretora, torna esse trabalho mais próximo.
O amadurecimento em movimento
O longa também se aproxima do conceito de coming of age, associado à passagem para a vida adulta. A narrativa acompanha a descoberta de uma nova fase e as mudanças provocadas por experiências como o primeiro término, o início da vida sexual e a construção de novas formas de estar em uma relação.
Claudia entende o amadurecimento como um processo que começa no nascimento e se estende por toda a vida. As primeiras experiências inauguram transformações emocionais que são revisitadas em outros relacionamentos, nas amizades e na maneira de prestar atenção ao outro.
Ao final da história, Teresa, Clara, Tuca e Patty não são mais as mesmas pessoas do início. As situações vividas alteram a forma como se relacionam e consolidam a amizade entre elas. A transformação das personagens se expressa na certeza de que continuarão juntas, fortalecidas pelo percurso que atravessaram.


