Jack Thorne, roteirista de “Adolescência”, afirmou que profissionais estão usando ferramentas de inteligência artificial para escrever roteiros. Para ele, a prática é uma forma de “trapaça”, e os roteiristas identificados deveriam sofrer consequências profissionais.
A declaração recoloca no centro do debate uma preocupação presente nas disputas trabalhistas de Hollywood: o uso, por estúdios, de sistemas capazes de gerar diálogos, ideias e estruturas narrativas. A discussão envolve também ferramentas empregadas em diferentes etapas da produção audiovisual, o que dificulta estabelecer o limite entre assistência tecnológica e substituição do trabalho criativo.
Hollywood passou décadas criando histórias sobre máquinas que tomam empregos humanos. Agora, a possibilidade de esse processo atingir os próprios roteiristas é discutida por profissionais da área.
Possível continuação de “Adolescência”
A declaração de Thorne ocorre enquanto “Adolescência” pode ganhar uma nova temporada. A série foi concebida originalmente como uma obra de temporada única, mas Stephen Graham, co-criador e protagonista, indicou que a história ainda pode prosseguir.
“Talvez a gente resgate isso em três ou quatro anos, então fiquem ligados”, afirmou Graham ao falar sobre a possibilidade de retomar o projeto.
Dede Gardner e Jeremy Kleiner, co-presidentes da produtora Plan B, já conversam sobre a “próxima iteração” da série com o diretor Philip Barantini. Segundo Gardner, o desafio é ampliar o escopo da narrativa sem perder a identidade da obra e sem repetir sua fórmula.
Disponível na Netflix, a minissérie foi criada por Graham, Thorne e Barantini. A trama acompanha uma família transformada depois que um jovem de treze anos é preso pelo assassinato de uma adolescente de sua escola.
Ashley Walters, Erin Doherty, Faye Marsay, Christine Tremarco, Mark Stanley, Jo Hartley, Amélie Pease e Owen Cooper também integram o elenco. Graham divide o roteiro com Thorne.


