PATAN — O quarto nível de Rani-ki-Vav assinala a passagem para o tanque profundo que encerra a descida até a água. A estrutura, construída no século XI em Patan, na Índia, foi concebida como um templo invertido e organiza o percurso em sete níveis sucessivos.
A descida não ocorre por um único lance de escadas. Cada patamar apresenta características próprias e conduz ao seguinte, formando uma sequência arquitetônica que avança gradualmente da superfície até 23 metros de profundidade. É nesse ponto mais profundo que a água se torna acessível.
Uma galeria vertical
As paredes do poço são cobertas por mais de 1.500 esculturas. Os painéis acompanham os sete níveis e se estendem por praticamente todo o trajeto entre a parte superior e o fundo da estrutura.
A disposição das esculturas acompanha o movimento de quem desce. Em vez de aparecerem apenas em áreas isoladas, elas formam uma sequência visual contínua, integrada ao percurso físico. A construção combina, assim, o armazenamento de água com uma experiência arquitetônica e artística organizada em etapas.
A transição para o tanque
O quarto nível ocupa uma posição específica nessa composição. Ele conduz ao tanque profundo associado à fase final da descida e estabelece a passagem entre a área mais decorada e acessível do poço e o espaço diretamente ligado à água.
Essa organização também reforça a concepção de Rani-ki-Vav como templo invertido. A estrutura se desenvolve para baixo, mas a descida é dividida em partes claramente diferenciadas, até alcançar o tanque profundo.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura identifica Rani-ki-Vav como uma construção de sete níveis em Patan, no estado de Gujarat, na Índia. A concentração de mais de 1.500 esculturas em uma única estrutura hídrica distingue o poço de modelos escalonados mais simples e o coloca como referência na arquitetura desse tipo de construção e na escultura monumental produzida na Índia durante o século XI.


