A reconstrução da Stari Most devolveu a Mostar uma ponte que reúne materiais sobreviventes, técnicas otomanas e documentação histórica. Cerca de 30% das pedras empregadas na estrutura refeita são blocos originais retirados do leito do rio Neretva, onde permaneceram desde a destruição da ponte durante a guerra croata-bosníaca.
A obra, supervisionada pela Unesco, começou em 2001 e foi concluída em 2004. O projeto buscou reproduzir o desenho e o método construtivo da ponte erguida no século 16, com o uso da pedra calcária Tenelija, extraída da pedreira original, e de técnicas de construção a seco empregadas pelos otomanos.
A recuperação exigiu especialistas capazes de refazer trabalhos de cantaria que estavam praticamente em desuso na construção civil contemporânea. O objetivo era ir além de uma réplica visual: a nova estrutura deveria preservar o procedimento de construção usado na ponte original.
Uma ponte ligada à expansão otomana
A Stari Most foi encomendada pelo sultão Solimão, o Magnífico, para substituir uma passagem suspensa de madeira considerada instável diante do movimento que Mostar recebia. O projeto ficou sob responsabilidade de Mimar Hajrudin, discípulo do arquiteto otomano Mimar Sinan.
A construção em pedra levou cerca de nove anos e terminou em 1566. A ponte se tornou uma referência da arquitetura islâmica nos Bálcãs e permaneceu de pé por 427 anos. Em 9 de novembro de 1993, forças croatas a destruíram durante o conflito. A queda foi registrada e transmitida ao vivo internacionalmente, tornando-se uma das imagens mais reconhecidas da destruição cultural na guerra da antiga Iugoslávia.
Patrimônio além da estrutura
O reconhecimento da Unesco alcança também a área da Ponte Velha na cidade antiga de Mostar, inscrita como Patrimônio Mundial em 2005. O conjunto reúne influências otomanas, mediterrâneas e europeias acumuladas ao longo de séculos.
Assim, a reconstrução envolve tanto a forma da ponte quanto o tecido urbano ao redor. A presença de pedras recuperadas do Neretva mantém uma ligação material com a estrutura destruída, enquanto a repetição das técnicas originais preserva o vínculo com a engenharia otomana que definiu a construção concluída em 1566.


