Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Presidente colombiano exibe corpos após operação contra grupo rebelde

Abelardo de la Espriella divulgou imagens de cadáveres e afirmou que ação matou 23 pessoas e capturou seis, incluindo um líder dissidente.

Presidente colombiano exibe corpos após operação contra grupo rebelde
Foto: Reprodução

Abelardo de la Espriella divulgou um vídeo em que aparece ao lado de sacos mortuários e de autoridades militares e policiais, apresentando os mortos como resultado de uma operação contra um grupo rebelde dissidente. As imagens foram publicadas na quarta-feira (2), em sua conta no X, e mostram o presidente sentado diante de fileiras de cadáveres.

Vestido com o mesmo verde-escuro usado pelos militares que o acompanhavam, Espriella classificou a ação como um “golpe letal” contra o controle territorial do grupo e afirmou que se tratava da operação militar mais bem-sucedida na Colômbia nos últimos 12 anos. De acordo com ele, 23 pessoas foram mortas e seis capturadas. Entre os detidos estaria um líder conhecido pelo codinome “Tigre”, apontado como o terceiro na hierarquia da organização.

O presidente também afirmou que o grupo havia recrutado crianças e atacado integrantes do Exército e da Marinha durante as eleições presidenciais deste ano. Uma criança recrutada, segundo ele, foi resgatada e encaminhada ao órgão de proteção à infância do país.

Imagens e política de segurança

Especialistas ouvidos sobre o episódio associaram a exposição dos corpos a uma estratégia regional de líderes que fazem campanha com discursos de lei e ordem e transformam imagens de supostos criminosos em demonstrações do poder estatal. Elizabeth Dickinson, vice-diretora para a América Latina do International Crisis Group, afirmou que esse tipo de representação converte a punição em julgamento moral e apresenta o conflito como uma disputa entre o bem e o mal.

Adam Isacson, diretor do Washington Office on Latin America, disse que as imagens procuram mobilizar o público para além das estatísticas sobre homicídios, apelando a reações imediatas. A prática, segundo os especialistas, também aparece em vídeos divulgados por Donald Trump durante operações de imigração e nas imagens de presos exibidas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

Na Colômbia, porém, a apresentação de cadáveres carrega uma memória específica. Durante décadas de conflito armado, militares chegaram a medir o êxito pelo número de baixas inimigas. No início dos anos 2000, soldados mataram quase 8.000 civis e os apresentaram como guerrilheiros mortos em combate, em um escândalo conhecido como “falsos positivos”.

Investigação ainda pendente

O país firmou, em 2016, um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, encerrando um conflito de 50 anos com a guerrilha marxista. Facções dissidentes que rejeitaram ou abandonaram o acordo, além de outros grupos, continuam atuando em partes do país.

Jorge Restrepo, diretor do Centro de Recursos para Análise de Conflitos, afirmou que a presença do próprio presidente ao lado dos corpos representa uma mudança no período posterior ao conflito. As identidades dos mortos não foram divulgadas, e a operação ainda não passou pelas investigações exigidas depois de uma ação militar com mortes.

Para Restrepo, a classificação dos mortos como “terroristas” derrotados apaga diferenças entre combatentes e civis, adultos e crianças, além de misturar usos legais e ilegais da força. Para comunidades marcadas pela violência de grupos armados e do Estado, as imagens podem transmitir simultaneamente a ideia de que o governo consegue derrotar criminosos e o temor de uma nova fase de violência em massa.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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