A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas aprovou uma resolução para ajustar a forma como o mundo é representado nos mapas. A proposta, liderada pelo Togo, recebeu 164 votos favoráveis, um voto contrário dos Estados Unidos e seis abstenções.
A mudança está ligada à projeção de Mercator, criada no século 16 pelo geógrafo belga Gerardo Mercator. O modelo permite representar em uma superfície plana a forma esférica da Terra, mas amplia visualmente as áreas próximas aos polos e reduz a aparência das regiões equatoriais.
O efeito sobre os continentes
Nesse sistema, a Europa e a América do Norte parecem maiores do que são, enquanto a África e a América do Sul aparecem reduzidas. A versão atualizada deverá modificar principalmente a representação do continente africano, que ganhará maior dimensão visual. O Brasil também aparecerá maior nos mapas corrigidos.
A diferença fica evidente na comparação com a Groenlândia. Nas representações baseadas em Mercator, a ilha ártica aparenta ter tamanho semelhante ao da África e da América do Sul. Na realidade, a África é 14 vezes maior que a Groenlândia, e o Brasil sozinho é quatro vezes maior.
Ciência e reparação histórica
Antes da votação, o ministro das Relações Estrangeiras do Togo, Robert Dussey, afirmou que a aprovação transmitiria uma mensagem de confiança na “verdade científica”. Para ele, a discussão não deveria ser tratada como uma disputa política, mas como uma questão baseada em evidências.
A iniciativa também é apresentada como uma forma de reparação histórica e de correção de uma representação considerada distorcida. Um abaixo-assinado na internet chamado “Corrija o mapa”, mesmo nome da proposta apresentada à Assembleia da ONU, reúne mais de 11.700 assinaturas. O documento afirma que o modelo reduz a percepção sobre a dimensão da África e diminui sua importância.


