A expansão de documentos de mobilização e de vagas ligadas à preparação militar aumentou a apreensão de moradores na Rússia, enquanto o governo nega estar planejando uma nova convocação para a guerra na Ucrânia. Há relatos de pessoas chamadas a escritórios de alistamento sob a justificativa de verificação de dados e denúncias de homens levados à força para essas unidades.
O advogado russo Timofei Vaskin afirmou que a distribuição de ordens de mobilização cresceu de forma expressiva no primeiro semestre de 2026. Esses documentos estabelecem a obrigação de comparecimento caso uma mobilização seja declarada, mas não representam, por si só, uma convocação imediata. De acordo com Vaskin, elas passaram a ser distribuídas na casa das centenas de milhares, enquanto as consultas a advogados sobre o assunto aumentaram na casa de dezenas de vezes.
Abordagens nas ruas e saída do país
Na região de Penza, moradores denunciam desde junho que homens são levados contra a vontade para escritórios de alistamento e pressionados a assinar contratos com as Forças Armadas. Familiares e vizinhos organizaram protestos diante da repetição dos casos.
A jornalista Lena Lemyasova relatou que as abordagens ocorrem principalmente perto das entradas dos prédios. Homens alcoolizados seriam detidos por desconhecidos ou colocados em veículos fornecidos pelas autoridades locais. Depois, familiares deixariam de receber informações até que surgissem notícias sobre transferências para unidades militares e possível envio à linha de frente.
O receio também levou parte da população a tentar sair da Rússia antes de eventuais restrições. Um cidadão disse que um conhecido deixou o país há dois meses após receber uma convocação para verificar dados no escritório de alistamento militar.
Negativas oficiais e preparação administrativa
Vladimir Putin classificou os rumores como um “ataque informacional” contra o país em 1º de setembro. Dois dias depois, durante o Fórum Econômico de Vladivostok, negou novamente a necessidade de uma convocação em massa. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, também rejeitou repetidamente as informações e as chamou de notícias falsas.
O decreto de mobilização parcial editado em 2022 continua tecnicamente válido, pois nunca foi formalmente revogado. Em 8 de agosto, foram identificadas 40 vagas relacionadas à preparação para mobilização em Moscou e região, além de 13 em São Petersburgo. No fim de julho, havia 197 vagas em todo o país com essa expressão e mais de 2,6 mil anúncios ligados a registro militar.
Para o advogado Artem Klyga, o movimento indica que a burocracia estaria preparando o sistema para qualquer decisão que Putin possa tomar.


