A Ucrânia afirmou que não haveria razão para manter em segredo a entrega à Coreia do Sul de dois soldados norte-coreanos capturados na Rússia. Um assessor do presidente Volodymyr Zelensky disse que o chefe de Estado apenas informou o destino dos prisioneiros e minimizou a controvérsia diplomática.
A posição de Kiev veio depois de Seul convocar, nesta segunda-feira, 28, o encarregado de negócios ucraniano. O governo sul-coreano pediu explicações formais e um pedido de desculpas pela divulgação da operação, que, segundo a presidência do país, deveria permanecer protegida por um entendimento de confidencialidade.
O ponto de conflito
Para Seul, a crise não se limita à exposição pública da transferência. A negativa posterior da Ucrânia sobre a existência do acordo teria agravado o episódio e abalado a confiança necessária para a cooperação entre os dois governos em assuntos de segurança.
Os militares foram capturados na região russa de Kursk, onde estavam entre combatentes norte-coreanos enviados para atuar ao lado das forças russas no conflito contra a Ucrânia. Depois da captura, os dois manifestaram interesse em permanecer na Coreia do Sul.
O caso envolve um contato incomum entre cidadãos norte-coreanos e instituições sul-coreanas, tema sensível para Pyongyang. A presença de militares da Coreia do Norte no conflito também ampliou os riscos associados à relação entre Seul e Kiev.
Apoio sob avaliação
O episódio ocorre enquanto o governo de Lee Jae-myung busca diminuir os riscos de confronto com a Coreia do Norte e defende a retomada gradual do diálogo. Paralelamente, Seul avalia pedidos reiterados da Ucrânia por equipamentos defensivos, mas continua sem fornecer armas letais a Kiev.
Analistas ouvidos na Coreia do Sul consideram que o desgaste poderá levar o governo de Lee a agir com mais cautela em futuras decisões de apoio à Ucrânia. A disputa também pode criar um precedente para o tratamento de combatentes norte-coreanos capturados no conflito.


