Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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ONU aprova resolução que recomenda mapa mais fiel ao tamanho dos continentes

A projeção Equal Earth reduz distorções da Mercator e faz Brasil e África aparecerem proporcionalmente maiores nos mapas-múndi.

ONU aprova resolução que recomenda mapa mais fiel ao tamanho dos continentes
Foto: Handout/Equal Earth/AFP/Handout/Equal Earth/AFP

A Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que recomenda a substituição da projeção de Mercator pelo mapa Equal Earth, criado para representar com maior precisão o tamanho dos continentes. A decisão foi tomada na sexta-feira (4), após uma mobilização da União Africana para alterar a forma como a África é apresentada na cartografia mundial.

A resolução foi patrocinada pelo Togo e recebeu o apoio de 164 nações. Os Estados Unidos votaram contra, enquanto Estônia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia se abstiveram. O texto, porém, não obriga nenhum país a adotar o novo mapa.

A distorção que altera a percepção do mundo

Na projeção de Mercator, o Brasil aparece com dimensão semelhante à do Alasca, embora seja cinco vezes maior que o estado americano. No Equal Earth, a diferença entre os dois territórios fica visualmente mais próxima da realidade.

O mesmo ocorre com a África. A Groenlândia e o continente africano parecem ter tamanhos semelhantes na Mercator, apesar de a África ser cerca de 14 vezes maior. O Brasil, que nessa projeção parece menor que a Groenlândia, é, na realidade, 3,9 vezes maior que o território dinamarquês.

A Mercator foi criada no século 16 pelo cartógrafo europeu Gerardus Mercator para atender a uma necessidade de navegação. Seu desenho permite que um navegador determine a direção a seguir com base na bússola. O método, contudo, amplia os territórios à medida que eles se afastam da linha do Equador, fazendo com que regiões próximas aos polos pareçam maiores.

Essa distorção decorre do esforço de representar uma superfície esférica em um plano. Na projeção cilíndrica de Mercator, os meridianos aparecem como linhas paralelas e equidistantes, embora, na realidade, converjam nos polos. Como qualquer mapa plano produz algum tipo de deformação, os cartógrafos escolhem técnicas de acordo com a finalidade de cada representação.

A campanha pela mudança

A União Africana aderiu, há um ano, à campanha Correct The Map, que defende o abandono da Mercator em mapas usados por governos, organizações, escolas e empresas. O movimento sustenta que a distorção dos continentes envolve uma questão de poder e percepção.

A projeção de Mercator ainda é utilizada como padrão por aplicativos como o Google Maps e ajudou a formar a imagem mental que muitas pessoas têm do planeta. O site da campanha afirma que, durante mais de 450 anos, a compreensão da África e do mundo foi baseada em um mapa equivocado.

Antes da votação, o ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, declarou que “um mundo justo começa com um mapa justo”. A vice-presidente da Comissão da União Africana, Selma Malika Haddadi, havia resumido a posição do movimento ao dizer: “Pode parecer apenas um mapa, mas na verdade não é”.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, apoiou a iniciativa e afirmou que o órgão francês deixaria de utilizar a projeção de Mercator. Para ele, corrigir uma representação distorcida não transforma o mundo, mas constitui um ato de verdade.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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