A Organização das Nações Unidas passou a incentivar o uso da projeção Equal Earth, uma representação do planeta criada em 2018 por Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny. A proposta altera as dimensões dos territórios para reduzir distorções e se aproxima de uma visão decolonial, em oposição à perspectiva eurocentrista associada à projeção de Mercator.
A mudança foi aprovada em 4 de setembro, com 164 votos favoráveis, seis abstenções e uma posição contrária, dos Estados Unidos. A iniciativa foi apresentada pelos Estados-membros da União Africana com o argumento de que o mapa-múndi deveria representar os países de maneira mais próxima da realidade e contribuir para o enfrentamento de práticas discriminatórias, em sintonia com o objetivo 10 de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Professores consultados sobre a possibilidade de o tema aparecer nos vestibulares avaliam que ela existe, mas é baixa, sobretudo no Exame Nacional do Ensino Médio e nas primeiras fases dos processos seletivos tradicionais. As provas costumam ser finalizadas entre julho e agosto; nas etapas discursivas, esse fechamento pode ocorrer até setembro.
Ainda assim, a cartografia permanece entre os conteúdos recorrentes. Um levantamento do SAS Educação indica que 3,59% das questões de Geografia do Enem entre 2009 a 2025 trataram da interpretação de mapas. Para Sebastian Fuentes, do Curso Anglo e Colégio Anglo São Paulo, e Rafaela Locali, do Colégio Oficina do Estudante, novas formas de representação podem ser cobradas em Geografia ou em questões interdisciplinares, especialmente nas segundas fases.
A abordagem pode envolver Matemática, ao tratar da dificuldade de representar uma esfera em uma superfície plana com o mínimo de distorções, ou Biologia, em uma comparação entre a área real dos biomas e aquela mostrada por projeções anteriores. Também podem aparecer conteúdos tradicionais, como relevo, clima, hidrologia, escala e leitura de legendas.
A projeção de Mercator foi desenvolvida em 1569, durante o período das Grandes Navegações. Nela, paralelos e meridianos são traçados como linhas retas que formam ângulos de 90º, enquanto as áreas sofrem distorções à medida que se aproximam dos polos. Esse arranjo favorece o Hemisfério Norte e coloca a Europa em posição central.
Para interpretar uma questão com mapas, Rafaela recomenda começar pelo título e pela fonte, observar as cores e consultar a legenda. Sebastian acrescenta que toda representação cartográfica carrega uma perspectiva. Identificar o interesse ou o viés de quem produziu o mapa pode ser decisivo para chegar à resposta pedida.


