A Hancock Fabrics encerrou sua rede física poucos meses depois de entrar em recuperação judicial nos Estados Unidos. O pedido de Chapter 11 foi apresentado em 2 de fevereiro de 2016, quando a varejista mantinha 263 lojas e aproximadamente 4.500 funcionários. Em 1º de abril de 2016, começaram as vendas de encerramento nas 185 unidades que ainda permaneciam abertas.
Fundada em 1957, a empresa comercializava tecidos, acessórios de costura, materiais para trabalhos manuais e máquinas de costura. Ao chegar a 2016, ainda tinha presença em dezenas de estados e atendia consumidores ligados à costura, aos tecidos e ao artesanato.
A tentativa de reorganização
O processo foi aberto no Tribunal de Falências de Delaware. A companhia afirmou que buscava reorganizar sua estrutura de capital, obter liquidez, reduzir custos e revisar a localização das lojas para tornar a operação mais competitiva.
A entrada no Chapter 11 não representava, inicialmente, um anúncio de fechamento. A Hancock pretendia continuar atendendo clientes e pagando funcionários e fornecedores enquanto procurava uma estrutura capaz de sustentar a recuperação. Documentos posteriores, porém, registraram que a preservação da rede inteira no mesmo formato se tornou inviável.
A empresa avaliou a venda de ativos e alternativas para sua estrutura. Parte das lojas começou a ser fechada durante esse processo, enquanto a companhia tentava obter o maior valor possível pelos ativos remanescentes.
Liquidação das unidades restantes
No fim de março, a Great American Group foi reconhecida como vencedora do leilão de ativos e estoques. A partir de 1º de abril de 2016, as 185 lojas restantes passaram a realizar vendas de encerramento. O objetivo deixou de ser manter a antiga rede em funcionamento e passou a ser liquidar mercadorias e outros ativos.
Documentos posteriores indicam que as vendas de fechamento se estenderam até o fim de julho de 2016. A liquidação alcançou uma força de trabalho de aproximadamente 4.500 pessoas. Desse total, cerca de 4.150 trabalhavam nas lojas; os demais estavam ligados à sede corporativa, ao armazém e à estrutura de distribuição.
A companhia também mantinha um grande centro de distribuição e instalações corporativas no Mississippi. Como todas as lojas eram alugadas, os contratos de locação e os ativos físicos foram submetidos a processos próprios de venda ou encerramento durante a falência.
Em 2014, a Hancock Fabrics havia registrado mais de US$ 283 milhões em vendas. A liquidação das últimas 185 unidades encerrou a trajetória de 59 anos da empresa no varejo americano de tecidos e artigos para costura.


