MOSCOU — A entrada da Finlândia na Iniciativa de Dissuasão Nuclear Avançada provocou uma reação do governo russo. O projeto francês, apresentado por Emmanuel Macron, prevê ampliar treinamentos e a cooperação militar nuclear entre países europeus. Para Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, a proposta representa uma política “imprudente” e exige acompanhamento de Moscou.
A Finlândia anunciou sua adesão um dia antes da manifestação russa. O país compartilha 1.300 quilômetros de fronteira com a Rússia e justificou a participação dizendo que o programa reforça a responsabilidade europeia pela própria defesa e contribui para evitar uma escalada.
O funcionamento do projeto
A iniciativa prevê exercícios conjuntos conduzidos pela França com os países participantes. O plano também permitiria, pela primeira vez, o pouso temporário de aeronaves francesas equipadas com armamento nuclear em territórios aliados.
O modelo, porém, não estabelece uma resposta coletiva automática em caso de ataque. Também não prevê a instalação permanente de ogivas nucleares fora da França. Nesse ponto, distingue-se do Artigo 5º da Otan, que considera um ataque contra um integrante como uma agressão a todos os membros.
“Claro que isso está criando riscos para nós. E, claro, precisamos manter isso sob controle”, declarou Zakharova ao comentar o avanço do programa.
Uma alternativa complementar à Otan
Formalizada em março, a proposta de Macron surgiu em meio a dúvidas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a defesa coletiva da aliança atlântica. Donald Trump havia sinalizado uma disposição mais limitada nesse campo, levando governos europeus a reavaliar sua dependência da proteção militar americana.
Até agora, dez governos aderiram em algum nível à iniciativa. A Associação para o Controle de Armas estima que a França tenha cerca de 370 ogivas nucleares de fabricação própria. Os arsenais russo e americano são calculados em 5.420 e 5.042 unidades, respectivamente, considerando ogivas operacionais, armazenadas e em processo de desmantelamento.
Os governos europeus favoráveis ao projeto afirmam que ele não substitui os compromissos assumidos na Otan, mas acrescenta capacidade de dissuasão ao continente. A proposta foi apresentada em um contexto de mudanças na segurança regional desde a última década, agravadas pela guerra na Ucrânia, iniciada em 2022 e ainda sem acordo de paz.


