PARANÁ — A Defesa Civil Estadual registrou 510 ocorrências de desastres no Paraná em 2026, entre 1º de janeiro e ontem. A média equivale a dois episódios por dia e deixa o total deste ano próximo dos 574 registros contabilizados ao longo de todo o ano passado.
No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 264 casos. A comparação representa aumento de 93,2% nas ocorrências. Entre os eventos anotados estão vendavais, granizo, chuvas intensas, estiagem, deslizamentos, alagamentos, inundações, acidentes rodoviários envolvendo produtos perigosos e enxurradas.
O número de municípios atingidos passou de 147, em 2025, para 231 em 2026, de um total de 399 cidades paranaenses. Também aumentou a quantidade de pessoas afetadas: de 148.322 para 215.720.
A única redução ocorreu entre as mortes. Foram 18 óbitos no ano passado e 7 neste ano. A Defesa Civil relaciona parte importante da diferença à explosão na empresa Enaex Brasil, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), ocorrida em agosto de 2025. O episódio matou nove trabalhadores.
Rodovias do Vale do Ribeira
A Secretaria de Infraestrutura e Logística (SEIL) e o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR) restabeleceram ontem o tráfego na PR-340 e mantiveram restrições na PR-092. As duas estradas foram atingidas por chuvas fortes, que provocaram quedas de barreiras, deslizamentos e acúmulo de árvores nas pistas. A recomendação aos motoristas é dirigir em velocidade reduzida e com atenção redobrada.
Na PR-092, entre Rio Branco do Sul e Cerro Azul, a circulação foi mantida, mas há mais de 50 ocorrências no trecho e diversos pontos operando em meia pista. A área mais crítica fica entre os quilômetros 70 e 74. No km 70+200, equipes iniciaram levantamentos topográficos para avaliar o talude e definir as obras permanentes.
Na PR-340, entre Tunas do Paraná e Cerro Azul, veículos leves voltaram a circular integralmente após a mobilização de equipes e profissionais de diferentes áreas. O trecho ainda tem 15 pontos críticos, e em dois deles não há segurança para a passagem de veículos pesados.
Tempestades lideram registros
As tempestades respondem pela maior parcela das ocorrências de 2026. A categoria reúne vendavais, granizo, chuvas intensas, tornados e tempestades de raios. Foram 312 situações, com 191 municípios atingidos e 81.993 pessoas afetadas. Desse conjunto, 206 casos foram de vendaval, 17 de chuvas intensas, 79 de granizo, duas tempestades de raios e oito tornados.
Desde a última quarta-feira (9), as chuvas intensas provocaram ocorrências em diferentes regiões. O boletim mais recente da Defesa Civil, divulgado na tarde de ontem, registrou 86 ocorrências em 84 municípios e 23.718 pessoas afetadas. Desse total, 2.206 estavam desalojadas e 6111 desabrigadas. Também foram informadas três mortes, 3.544 casas danificadas e 20 destruídas.
Previsão até o fim do ano
Os registros de 2025 mostram uma concentração maior de desastres no período mais quente. Entre 1º de janeiro e 15 de outubro, foram contabilizadas 264 ocorrências. De 16 de outubro a 31 de dezembro, houve outras 310, alcançando o total de 574 casos.
Uma nota técnica do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) prevê que o El Niño alcance intensidade muito forte a partir de outubro de 2026 e permaneça assim até janeiro de 2027, com efeitos pelo menos até o fim do verão de 2026/2027. “Aumenta o risco de desastres hidrológicos e tempestades severas”, alerta o Simepar.
A previsão inclui risco de tempestades severas, inundações, enxurradas, saturação do solo e movimentos de massa. Também são esperadas chuvas acima da média climatológica em todo o estado, precipitações volumosas em períodos curtos, ventos fortes, maior ocorrência de granizo e raios.


