Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cultura

No Brasil, poder e amizade desafiam os limites da democracia

A lógica dos vínculos pessoais e do mandonismo expõe conflitos entre interesses privados, autoridade e igualdade diante da lei.

No Brasil, poder e amizade desafiam os limites da democracia
Foto: Luciano Marques/Adobe Stock

A compra do Brasil, na interpretação apresentada, não se faz principalmente com dinheiro, mas por meio de relações pessoais capazes de abrir portas, contornar regras e aproximar indivíduos dos centros de poder. A amizade com os mandões aparece como uma forma de escapar da lei comum e de transformar a influência em instrumento de ascensão social.

Nos Estados Unidos, o dólar simboliza uma política em que o país pode ser tratado como uma empresa e o direito de votar, como uma transação. Donald Trump é apresentado como expressão dessa lógica. Em 1925, o presidente Calvin Coolidge resumiu a ideia ao afirmar que o negócio da América é negociar.

A força dos vínculos pessoais

No Brasil, a matriz dessas relações estaria na casa e no parentesco, estendendo-se depois às turmas, aos amigos e às alianças entre companheiros, camaradas, compadres e sócios. Os antigos pistolões reaparecem como elos capazes de impulsionar uma ascensão social rápida e de criar acesso privilegiado às instituições.

Essa cultura dos favores é associada a repasses milionários e à proximidade entre um banqueiro desonesto, senadores de direita e de esquerda, políticos e magistrados da Suprema Corte da República. A crítica central é que aqueles que condenaram um presidente golpista teriam comprometido a própria imparcialidade ao advogar para um banco acusado de também golpear a imparcialidade.

O texto sustenta ainda que os poderes do governo democrático, em vez de interdependentes, disputam uma busca velada por poder absoluto. Nesse ambiente, permanece a crença de que o país precisa de um mandão para ser governado. A presença de caricaturas de d. João VI no horizonte político expressaria essa tradição, assim como a imagem de um presidente dos trabalhadores instalado em um palácio e disposto a governar pela quarta vez para mudar o país.

A questão decisiva está nos limites dos ocupantes de cargos poderosos. Sem limites, argumenta-se, não existe imparcialidade — condição essencial da igualdade democrática. A sessão do STF mencionada discutirá conflitos de interesses e a tensão entre a ética da casa, própria de um sistema tradicional de dominação, e o sistema burocrático moderno, organizado pelas constituições. O ponto é definir como o cargo de juiz pode preservar-se de interesses pessoais, a menos que prevaleça o jeitinho.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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