Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Acordo judicial libera retorno de retrato de Goudstikker à herdeira na Argentina

Patricia Kadgien e Juan Carlos Cortegoso abriram mão da obra atribuída a Ceruti para evitar julgamento criminal.

Acordo judicial libera retorno de retrato de Goudstikker à herdeira na Argentina
Foto: Christian Heit/AP Photo

A devolução de Retrato de uma Dama a Marei von Saher foi autorizada nesta sexta-feira (4) por um tribunal argentino, após um acordo que encerra a disputa criminal envolvendo a obra. Patricia Kadgien, filha do oficial nazista Friedrich Kadgien, e o marido dela, Juan Carlos Cortegoso, renunciaram a qualquer reivindicação sobre a pintura e concordaram com sua entrega à herdeira de Jacques Goudstikker.

A condição para evitar um julgamento é que o casal permaneça sob supervisão judicial por dois anos. Nesse período, Patricia Kadgien e Cortegoso deverão fazer pagamentos a um hospital de Mar del Plata, cidade onde residem, e informar às autoridades sobre seu paradeiro.

Uma obra localizada por acaso

O retrato, considerado desaparecido por décadas, foi encontrado depois que repórteres holandeses investigaram a trajetória de Friedrich Kadgien, oficial nazista que fugiu para a Argentina após a Segunda Guerra Mundial. A pintura apareceu em um anúncio imobiliário na internet, pendurada sobre um sofá de veludo verde na casa rústica da filha dele, em Mar del Plata.

O anúncio foi retirado poucas horas depois da divulgação da descoberta. Policiais fizeram buscas no imóvel em várias ocasiões, mas não encontraram a obra. Mais de uma semana depois, o advogado de Kadgien entregou o quadro às autoridades.

A pintura havia sido registrada durante décadas como trabalho do barroco italiano Giuseppe Vittore Ghislandi. Com essa atribuição, integrou os registros da coleção de Goudstikker e foi exibida em Amsterdã antes da guerra. Uma perícia determinada pela Justiça e conduzida pela Academia Nacional de Belas Artes da Argentina, porém, atribuiu o retrato a Giacomo Antonio Melchiorre Ceruti.

Especialistas confirmaram que a obra pertenceu à coleção de Goudstikker e estimaram seu valor em cerca de 250.000 de euros (R$ 1,49 milhão).

A coleção saqueada

Jacques Goudstikker era um negociante de arte judeu holandês cuja coleção foi vendida sob coação a oficiais nazistas depois da invasão da Holanda pela Alemanha de Adolf Hitler em 1940. Ele morreu em um naufrágio enquanto deixava Amsterdã com a família, no momento em que as forças alemãs invadiam os Países Baixos, em maio de 1940.

Cerca de 1.100 obras da coleção foram vendidas ilegalmente a Hermann Göring, braço direito de Hitler e responsável por reunir um grande acervo de arte durante a guerra. Goudstikker possuía, entre outras peças, trabalhos de Rembrandt e Vermeer.

Não foi esclarecido como Retrato de uma Dama chegou às mãos de Friedrich Kadgien. Ele atuou como consultor financeiro de Göring, lidando com moeda estrangeira, metais preciosos e a venda de bens confiscados pelo regime nazista. Após a derrota da Alemanha, passou pela Suíça e depois se mudou para a Argentina, onde morreu em 1978 sem ser preso ou acusado de crimes de guerra.

Marei von Saher, única herdeira sobrevivente de Goudstikker, vive em Greenwich, Connecticut, e passou décadas tentando recuperar obras saqueadas de sua família. Seus advogados informaram que ela aceitou permitir uma exibição da pintura na Argentina antes de recebê-la.

As investigações continuam sobre outras peças apreendidas pela polícia argentina no ano passado em imóveis ligados a Kadgien e à irmã dele em Mar del Plata. Entre os itens estão duas pinturas do século 19, além de gravuras e impressões. As autoridades apuram se alguma dessas obras também foi saqueada durante a Segunda Guerra Mundial.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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