Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Mafalda completa 62 anos como voz crítica diante das crises do mundo

Criada por Quino, a menina argentina continua questionando guerras, desigualdades e a resignação dos adultos.

Mafalda completa 62 anos como voz crítica diante das crises do mundo

Em 29 de setembro de 1964, uma menina de seis anos apareceu pela primeira vez na imprensa argentina. Mafalda, criada pelo cartunista Joaquín Salvador Lavado Tejón, o Quino, estreou na revista Primera Plana e logo ultrapassou as fronteiras da Argentina. Sessenta e dois anos depois, suas perguntas continuam associadas a problemas que permanecem sem solução.

Nascida em Buenos Aires, Mafalda se tornou uma personagem universal sem perder sua marca profundamente latino-americana. Quino a colocou diante de guerras, desigualdades sociais, governos incapazes de resolver questões básicas e adultos que pareciam aceitar como normais situações absurdas.

A criança que interrogava os adultos

A força da personagem estava na inversão de papéis: uma criança questionava o mundo construído pelos adultos. Mafalda queria saber por que existiam guerras, pobres e ricos e por que a autoridade deveria ser aceita sem questionamento.

O globo terrestre, um dos objetos mais ligados à personagem, expressava sua preocupação com o planeta. Mafalda o observava e cuidava dele como se estivesse diante de um paciente adoecido pela ação dos seres humanos. Notícias transmitidas pelo rádio, pela televisão e pelos jornais entravam na rotina familiar e despertavam nela a perplexidade diante da irracionalidade do mundo.

A partir de poucas palavras, Quino tratava de política internacional, guerra, injustiça social, democracia, paz e igualdade. Mafalda desconfiava do poder e repudiava a guerra, mas não era uma personagem partidária. Sua posição era a de uma crítica persistente da sociedade.

A personagem foi concebida inicialmente para uma campanha publicitária que não chegou a ser realizada. Quino recuperou a ideia e a transformou em uma obra que atravessaria fronteiras e gerações.

Um retrato da América Latina

Mafalda surgiu em uma Argentina marcada por crises políticas e golpes militares. Na América Latina, desigualdades sociais e disputas entre projetos políticos antagônicos faziam parte da experiência cotidiana. Quino transformou esse ambiente em humor e criou, ao redor da menina, personagens que representavam diferentes maneiras de observar a sociedade.

Manolito era fascinado pelo comércio e pelo dinheiro. Susanita desejava casamento, filhos e uma vida convencional. Felipe reunia imaginação, insegurança e tormento diante das obrigações escolares. Libertad, pequena também em tamanho, carregava no próprio nome uma visão radicalmente política do mundo.

Esse grupo permitia discutir capitalismo, consumo, burocracia, educação, machismo, desigualdade, liberdade e democracia sem converter as tiras em tratados políticos.

Uma personagem que não envelheceu

Em 1973, Quino decidiu interromper a produção regular das tiras. Mafalda, assim, não envelheceu. Permaneceu como uma menina diante de um planeta complicado, perguntando aos adultos por que eles não conseguiam administrá-lo melhor.

Quino continuou produzindo humor gráfico por décadas e se tornou um dos mais importantes cartunistas da língua espanhola. Morreu em 30 de setembro de 2020, aos 88 anos, um dia depois do aniversário da primeira publicação de Mafalda.

A permanência da personagem está ligada à continuidade das questões que ela levantava. Guerras, desigualdade, ameaça nuclear, fome, racismo, autoritarismo e intolerância continuam presentes. A crise climática acrescentou uma preocupação que, nos anos 1960, começava a ser percebida em toda a sua dimensão.

Mafalda não oferecia programas de governo nem respostas acabadas. Recusava, porém, a ideia de que guerras e injustiças deveriam ser aceitas como inevitáveis. Em 2026, suas perguntas feitas aos adultos em 1964 ainda esperam respostas.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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