Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Acordo na Venezuela coloca petróleo no centro da agenda de Trump para a região

Parceria com empresa venezuelana, ofensiva contra embarcações e apoio à direita organizam a política latino-americana do presidente americano.

Acordo na Venezuela coloca petróleo no centro da agenda de Trump para a região
Foto: Reuters

O governo de Donald Trump passou a controlar parte das reservas de petróleo da Venezuela por meio de uma parceria com uma empresa privada do país. O acordo prevê participação de 35% dos Estados Unidos na Nabep (North American Blue Energy Partners), companhia do empresário Alejandro Betancourt, e dá a Washington acesso direto a mais de 65 bilhões de barris.

A iniciativa se soma à ofensiva contra embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico e ao apoio a governos e candidatos alinhados à direita. Energia, segurança e influência política formam os principais instrumentos empregados por Trump em sua relação com a América Latina no segundo mandato.

Uma parceria com alcance energético

Sediada em Barbados, a Nabep produz cerca de 200 mil barris diários. A empresa pretende assumir US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões) em dívidas para elevar a produção a 1 milhão de barris nos próximos cinco anos.

O anúncio surpreendeu petroleiras americanas que já atuam na Venezuela. A Chevron, maior produtora de petróleo americana no país, informou que pretende ampliar suas operações.

A Venezuela tem cerca de 300 bilhões de barris em reservas, enquanto os Estados Unidos possuem estimados 81 bilhões. Com o acordo, Washington passará a controlar 65 bilhões dos recursos venezuelanos.

A trajetória de Betancourt, porém, tornou a parceria controversa. O empresário obteve contratos com os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro para atuar no setor energético, embora não tivesse experiência prévia na área. Ele é investigado há anos na Suíça e na Espanha, mas nunca foi acusado formalmente. Betancourt também integra os chamados bolichicos, grupo de empresários que enriqueceu por sua proximidade com o regime venezuelano.

Delcy Rodríguez, líder interina do regime de Caracas, classificou o pacto como histórico. Ela afirmou que a iniciativa envolve a exploração de 17 campos de petróleo e terá um “impacto significativo no renascimento da nossa nação”.

O secretário de Energia americano reconheceu que o acordo não deverá produzir efeito imediato sobre o preço da gasolina nos Estados Unidos. “A produção na Venezuela está crescendo todo mês, mas, para massivamente reduzir os preços do petróleo, é uma perspectiva de alguns anos”, afirmou durante uma visita a Caracas para concluir o pacto.

Ofensiva contra o narcotráfico

A política regional de Trump também inclui ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico, atribuídas pelo governo a grupos ligados ao narcotráfico. Depois de cerca de dois meses de interrupção, os bombardeios foram retomados no fim de agosto.

A ofensiva completou um ano sem apresentar evidências de que tenha alcançado os objetivos declarados pelo governo. Os preços da cocaína permanecem semelhantes aos registrados antes dos ataques, e as apreensões nas fronteiras não diminuíram.

Autoridades militares admitem que traficantes alteram rotas e meios de transporte para evitar as forças americanas. Entre os caminhos utilizados estão trajetos pela Venezuela e pela Guiana até o Suriname.

A Wola (Escritório de Washington para Assuntos Latino-Americanos) afirma que algumas pessoas identificadas nos ataques não tinham envolvimento conhecido com o narcotráfico. Outras ocupavam posições inferiores na cadeia e trabalhavam como tripulantes recrutados em comunidades costeiras pobres. Também havia pessoas com vínculos mais claros com o crime organizado.

Wells Dixon, advogado do CCR (Centro para Direitos Constitucionais), questionou a identificação dos mortos: “Não sabemos. Isso é parte do problema”.

A disputa por alinhamento político

O apoio a governos e candidatos de direita completa a estratégia. Argentina, Colômbia, Chile, Equador, Bolívia, Paraguai, Peru e o regime tutelado da Venezuela aparecem nesse campo de alinhamento. O Uruguai, descrito como geralmente equilibrado e hoje governado pela esquerda, é apresentado como a exceção restante.

A relação com o Brasil permanece mais complexa. A Casa Branca considera o PCC e o Comando Vermelho grupos terroristas, enquanto o país também reúne recursos naturais abundantes, entre eles minerais críticos que podem ajudar os Estados Unidos a contrabalançar a influência chinesa nesse mercado. O Senado aprovou o projeto de lei sobre o tema.

Ao mesmo tempo, o Brasil é alvo de tarifas e vive uma crise diplomática com o governo Trump em torno da aprovação do novo embaixador americano em Brasília e de ameaças de intervenção eleitoral.

Trump afirmou manter uma “boa relação” com o Brasil, sem mencionar Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração, porém, não indica avanços nas negociações nem redução dos atritos em curso entre os dois governos.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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