Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Formação de professores perde espaço e expõe crise de valorização no Brasil

Queda nas licenciaturas, envelhecimento do magistério e falta de prestígio ameaçam a renovação dos docentes no país.

Formação de professores perde espaço e expõe crise de valorização no Brasil
Foto: Celso Junior/Estadão

A formação de professores perdeu espaço no Brasil enquanto a carreira enfrenta baixos salários, condições difíceis de trabalho e redução de prestígio social. Entre 2010 e 2021, as matrículas em cursos de formação docente caíram cerca de 26%, segundo o Censo da Educação Superior do Inep.

Em 2021, de 2,8 milhões de vagas oferecidas em cursos de licenciatura, apenas 300 mil foram preenchidas. Somente 15% dos quase 4 milhões de ingressantes no ensino superior escolheram essa modalidade. Mais de 50% dos matriculados abandonaram a formação antes da conclusão.

Uma carreira com pouca atração

A desvalorização reúne fatores objetivos: remuneração baixa, salas superlotadas, violência escolar, desautorização por parte de pais, disputa pela atenção dos celulares e ataques nas redes sociais. O rendimento médio do professor brasileiro da educação básica com nível superior foi de cerca de R$ 5.500 em 2024, conforme o Anuário Brasileiro da Educação Básica, elaborado pelo Todos pela Educação com dados do Inep e da RAIS. A média da OCDE chega praticamente ao dobro.

Também há uma dimensão simbólica. O professor deixou de ocupar o lugar de figura de aspiração para muitos jovens, enquanto influenciadores e produtores de conteúdo passaram a concentrar admiração. Uma pesquisa Varkey de 2018, realizada em 35 países, colocou o Brasil na última posição em prestígio docente, atrás de Argentina, Colômbia e Peru.

As projeções indicam que, sem mudanças significativas, o país precisará de aproximadamente 235 mil docentes adicionais em 2040 para atender à demanda estudantil. Para enfrentar o problema, o governo lançou o Pé-de-Meia Licenciaturas, inspirado no Mais Médicos, com bolsas mensais destinadas a atrair jovens para a carreira. A medida, porém, é apresentada como insuficiente diante da concorrência com a promessa de enriquecimento rápido associada aos algoritmos.

O envelhecimento do magistério

Entre 2015 e 2024, o número de professores no Brasil cresceu 8,26%, enquanto as matrículas escolares diminuíram 8,55%. O aumento da quantidade de docentes não representa renovação da categoria. A idade média dos professores efetivos das redes estaduais já se aproxima de 46 anos, e o número de profissionais da educação básica com 50 anos ou mais cresceu 109% entre 2009 e 2021, segundo o Instituto Semesp, com base em dados do Inep.

O quadro indica que os professores envelhecem em serviço sem que novos profissionais ocupem os postos deixados por eles. A aposentadoria dessa geração tende a expor ainda mais a falta de docentes, especialmente em determinadas áreas.

Física, química, sociologia e filosofia já eram apontadas pelo Tribunal de Contas da União, em 2014, como disciplinas com maior escassez de professores. A deficiência permanece. O resultado aparece também no PISA 2022: o Brasil ficou na 65.ª posição em matemática entre 81 países avaliados, com 73% dos jovens de 15 anos abaixo do nível básico.

Escola, democracia e responsabilidade

A crise da docência ultrapassa os limites da escola porque envolve a maneira como a sociedade trata o conhecimento formal e os profissionais responsáveis por transmiti-lo. A perda de prestígio do professor ocorre ao mesmo tempo em que cresce a valorização de conteúdos rápidos, produzidos para plataformas digitais.

Em 1936, Anísio Teixeira escreveu: “Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias: a escola pública”. Em A Crise na Educação, de 1958, Hannah Arendt afirmou: “A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumir a responsabilidade por ele”.

A preocupação se estende ao avanço de ferramentas capazes de oferecer informação sem a mediação de um professor. Nesse cenário, o ensino pode ser reduzido a conteúdos sem curadoria, enquanto vídeos substituem o trabalho de profissionais preparados para atuar com alunos.

A falta de professores bem formados, bem remunerados e com condições profissionais adequadas compromete a renovação da carreira e a capacidade da escola de produzir conhecimento. Os dados sobre licenciaturas, envelhecimento e escassez de docentes colocam o tema entre os desafios centrais do país na educação.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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