SÃO PAULO — Cerca de 250 escolas públicas e privadas de São Paulo receberão, entre 28 e 30 de setembro, atividades sobre proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. A iniciativa da OAB São Paulo pretende alcançar 40 mil estudantes, com prioridade para colégios públicos e participação de jovens do oitavo ano do Ensino Fundamental ao terceiro ano do Ensino Médio.
A programação será conduzida por 1,3 mil advogados voluntários, mobilizados para apresentar a palestra Violências Digitais: Proteção, Direitos e Deveres. A ação reúne a Comissão da OAB Vai à Escola, a Comissão da Criança e do Adolescente e o projeto Valquírias Digitais, ligado à Comissão de Privacidade e Proteção de Dados e Inteligência Artificial.
Para Daniela Magalhães, vice-presidente da OAB-SP, a proposta responde à expansão de situações de violência nas plataformas digitais. “A tecnologia nos trouxe novas possibilidades, mas também novas formas de violência e de violações de direitos”, afirmou.
As formas de violência
Entre os problemas abordados estão o aliciamento de crianças e adolescentes para fins sexuais, a produção e o compartilhamento de conteúdo sexual envolvendo esse público e a manipulação desse material por inteligência artificial. Também fazem parte da lista ameaças, perseguição, extorsão, divulgação não autorizada de imagens íntimas e os chamados fake nudes.
Daniela mencionou ainda agressões contra animais de estimação de crianças e adolescentes como uma forma associada à violência digital. “O Dia D nasce da percepção de tratarmos de uma questão emergencial”, disse a dirigente.
A mobilização ocorre em um contexto de crescimento das violações contra crianças e adolescentes no meio digital, inclusive no Brasil. Estudo da Unicef publicado em março de 2026 registra que, em um ano, 19% dos adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos foram vítimas de exploração e abusos facilitados pela tecnologia.


