Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Filme leva famílias ao limite diante de um crime cometido por adolescentes

Com Marjorie Estiano e Alexandre Nero, longa inspirado em Herman Koch discute privilégio, educação e responsabilidade familiar.

Filme leva famílias ao limite diante de um crime cometido por adolescentes
Foto: Rachel Tanugi/Divulgação

Estreou nos cinemas brasileiros o filme Precisamos Falar, dirigido por Pedro Waddington e Rebeca Diniz. A trama acompanha uma noite que termina em tragédia: os adolescentes Michel, Jefferson e Rick se envolvem no ataque e na morte de uma imigrante em situação de rua.

O longa parte desse acontecimento para colocar duas famílias diante de uma decisão difícil. Os jovens cometeram um crime — ou ao menos testemunharam o que ocorreu — e seus pais precisam definir como agir. A escolha, porém, é atravessada por diferenças políticas, econômicas e raciais que já existiam antes da tragédia.

Waddington e Diniz assumiram um projeto que já estava em andamento e trabalharam para aproximar a adaptação da realidade brasileira. O roteiro é baseado no livro O Jantar, do holandês Herman Koch, publicado pela Intrínseca. A versão cinematográfica também desloca o centro da narrativa: em vez de seguir apenas um protagonista, distribui as argumentações entre personagens com perspectivas distintas.

“o filme quase obriga o espectador a refletir, a pensar: o que eu faria?”, afirmou Waddington. O diretor também disse que a história procura ultrapassar a divisão rígida entre esquerda e direita e apresentar respostas mais complexas para o conflito.

Famílias em conflito

Sandra e Paulo, interpretados por Marjorie Estiano e Alexandre Nero, são os pais de Michel. Celso e Anna, vividos por Emílio de Mello e Hermila Guedes, têm Jefferson e Rick. Valéria, personagem de Julia Svacinna, também faz parte desse núcleo familiar. Paulo e Celso são irmãos, e os três primos cresceram juntos, mas as brincadeiras relacionadas à adoção de Jefferson, um menino negro, tornaram-se progressivamente mais agressivas.

As diferenças entre os adultos aparecem em várias dimensões. Celso se casou com uma mulher rica e está prestes a se tornar governador ligado ao campo progressista. Sandra e Paulo vivem em uma situação confortável, mas não têm a mesma condição financeira. Paulo está afastado do emprego depois de uma acusação e enfrenta uma doença.

Para Rebeca Diniz, a construção dos personagens exigiu reconhecer as próprias contradições. A diretora afirmou que o drama permitiu explorar o desejo de usufruir privilégios e criar um debate sobre os limites da moral. Marjorie Estiano, que participou do projeto desde o início, disse que o trabalho buscou preservar a lógica de cada personagem, sem submetê-los aos valores pessoais da equipe.

A história também confronta a aplicação da lei em uma sociedade marcada por privilégios e por sistemas de reeducação que não cumprem seu papel. A questão não se resume a proteger os filhos a qualquer custo nem a ensiná-los, apesar da dor, que seus atos produzem consequências.

Educação e formação dos meninos

O filme amplia o dilema familiar para discutir a educação no século 21. Alexandre Nero relaciona a trajetória dos adolescentes às exigências de macheza e liderança impostas aos meninos. Hermila Guedes observa que eles também são atingidos pela violência do patriarcado, embora as mulheres permaneçam mais vulneráveis à violência.

A formação dos jovens, contudo, não é atribuída apenas aos pais. O ambiente, os amigos e a internet também participam desse processo. Nero afirmou que, em uma sociedade na qual pais e mães trabalham 18 horas por dia, é difícil responsabilizar exclusivamente as famílias pela educação dos filhos.

O próprio filme apresenta Michel como reflexo das opiniões do pai e da conivência da mãe: ele não respeita pessoas pobres nem aquelas com pele de cor diferente. Ao mesmo tempo, os envolvidos reconhecem que a formação de um indivíduo é mais complexa do que essa relação direta.

Emílio de Mello, pai de dois meninos, considera a experiência de educar um filho desprovida de regras fixas ou manual. Ele levou os filhos para assistir ao longa e defendeu que pais levem também seus filhos e filhas ao cinema.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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