KONSO, ETIÓPIA — Muros de pedra que chegam a 5 metros de altura transformaram encostas secas da região de Konso em campos cultiváveis. O sistema de terraços continua em uso depois de mais de 20 gerações e combina contenção do solo, controle da água, proteção dos povoados e marcas físicas da passagem do tempo.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura informa que os muros foram construídos para sustentar a terra em montanhas secas e criar superfícies planas artificiais onde antes havia apenas terreno inclinado. Além de manter o solo sobre os terraços, as estruturas reduzem o deslocamento da terra cultivável pela gravidade, permitindo o cultivo contínuo em uma área pouco propícia à agricultura.
Água, cultivo e proteção
Os muros também desempenham uma função relacionada à chuva. O sistema capta a água e controla seu excesso, equilibrando a retenção de umidade necessária às plantações com a drenagem que reduz o risco de erosão. Dessa forma, os terraços podem lidar tanto com períodos de escassez quanto com episódios de precipitação intensa.
A paisagem cultural Konso inclui ainda povoados fortificados. Essas estruturas defensivas complementam a infraestrutura agrícola e protegem as comunidades que dependem dos campos criados nas encostas. A organização dos terraços e dos povoados integra, assim, a produção de alimentos e a defesa das áreas cultivadas.
Pedras erguidas no território registram a passagem de gerações completas. Cada uma funciona como uma marca física de um intervalo específico da história da comunidade e permite estimar há quanto tempo o sistema permanece em uso contínuo.
A paisagem cultural Konso foi inscrita como Patrimônio Mundial da UNESCO em 2011 por sua importância cultural e singularidade. A permanência dos terraços é associada à combinação entre muros de contenção, controle da água, povoados fortificados e uma estrutura social organizada em torno da marcação geracional.
O sistema é estudado como exemplo de sustentabilidade agrícola de longo prazo. Sua continuidade por mais de 20 gerações mostra como estruturas de engenharia podem sustentar comunidades em condições ambientais desafiadoras quando são mantidas ao longo do tempo.


