BAGDÁ — Vestígios de pinturas com cerca de 3 mil anos permanecem no palácio real de Aqar Quf, sítio arqueológico que corresponde à antiga Dur-Kurigalzu. A estrutura fazia parte de uma capital cassita fundada no século XIV a.C. e é quase três vezes maior que o palácio associado a Nabucodonosor.
A preservação das pinturas oferece registros da decoração usada na residência real durante o período de maior atividade construtiva da cidade. Pinturas costumam se deteriorar mais rapidamente que estruturas feitas de pedra ou tijolo, o que torna esses vestígios uma evidência da produção artística ligada à realeza cassita.
Uma capital organizada em grande escala
De acordo com a lista indicativa da UNESCO, Dur-Kurigalzu foi fundada no território que hoje corresponde ao Iraque, quando a dinastia cassita exercia controle político sobre parte da Mesopotâmia. Como centro do poder, a cidade concentrava estruturas administrativas, religiosas e residenciais associadas à elite cassita.
A extensão do sítio ajuda a dimensionar esse papel. Aqar Quf ocupa 425 hectares e preserva, além do palácio real, um zigurate, templos e canais. O conjunto reúne edificações monumentais e estruturas ligadas à organização religiosa, administrativa e hídrica da antiga capital.
A comparação com o palácio associado a Nabucodonosor evidencia a escala das construções de Dur-Kurigalzu. Mesmo com essa dimensão, a cidade é hoje menos conhecida do público geral que outras capitais mesopotâmicas relacionadas a esse governante.
Aqar Quf preserva, assim, diferentes vestígios da antiga capital: o zigurate que se destaca no sítio, os espaços palacianos, os templos, os canais e as pinturas milenares. O conjunto integra a lista indicativa da UNESCO como representação da antiga cidade cassita.


