Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Pedra, sal e areia: como Ouadane marcou as rotas do Saara

Ruínas de Ouadane mantêm ruas reconhecíveis de uma cidade caravaneira erguida em pedra no território atual da Mauritânia.

Pedra, sal e areia: como Ouadane marcou as rotas do Saara

As ruínas de Ouadane ainda permitem reconhecer o desenho urbano de uma cidade caravaneira construída no deserto da Mauritânia. Erguida principalmente em pedra, a antiga povoação conserva estruturas e ruas associadas ao período em que servia às caravanas que cruzavam o Saara.

A cidade fica na região desértica do centro do país, na borda sul do planalto de Adrar. Ouadane surgiu como ksar nos séculos 11 e 12. O termo designa vilarejos fortificados do norte da África. Sua posição a transformou em um posto avançado do comércio transaariano, com controle sobre parte do fluxo de mercadorias que passava por aquela rota.

O comércio do sal

Entre os produtos transportados pelas caravanas estavam blocos de sal extraídos das minas de Idjil. A mercadoria era utilizada na conservação de alimentos e fazia parte das trocas de longa distância entre diferentes regiões da África medieval.

O trânsito desse produto reforçou a importância de Ouadane na rede comercial do Saara. A cidade intermediava o deslocamento do sal e se integrava a outras rotas de comércio e peregrinação que atravessavam a região.

Um conjunto de quatro ksour

Ouadane integra, ao lado de Chinguetti, Tichitt e Oualata, um conjunto reconhecido pela Unesco em 1996. Chinguetti também fica no norte da Mauritânia e foi construído em pedra; Tichitt e Oualata estão no sudeste do país.

Os quatro ksour têm uma organização urbana semelhante. Cada um se estrutura ao redor de uma mesquita com minarete quadrado, enquanto as casas se agrupam em ruas estreitas protegidas por fortificações. O padrão reúne funções comerciais e religiosas e expressa uma identidade cultural compartilhada.

A resistência da pedra

A escolha do material ajuda a explicar a permanência do traçado de Ouadane. A cidade e o vizinho ksar de Chinguetti foram construídos principalmente em pedra, em contraste com o pisé, técnica de barro compactado comum no sul do Marrocos e em outras cidades da mesma rota.

Essa construção permitiu que as ruas e a disposição urbana de Ouadane permanecessem legíveis apesar de séculos de abandono parcial e da exposição às condições climáticas do deserto.

A areia, porém, avança sobre o assentamento histórico. O processo de desertificação ameaça soterrar partes da cidade antiga e acrescenta um desafio à preservação das estruturas remanescentes. A conservação envolve restaurar áreas danificadas e conter o avanço que pode cobrir trechos do traçado urbano ainda visível.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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