Shibam, no Iêmen, formou uma cidade vertical com torres residenciais de até sete andares, construídas com tijolos de barro secos ao sol. A organização urbana, consolidada no século XVI, concentrou famílias em uma área cercada por uma malha fortificada, séculos antes de a construção em altura se tornar característica das metrópoles modernas.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, as torres faziam parte de um conjunto urbano fortificado. A estrutura envolvia as residências e contribuía para proteger as famílias distribuídas pelos diferentes pavimentos das construções.
Uma cidade condicionada pela geografia
Localizada entre montanhas e deserto, Shibam tinha restrições para crescer horizontalmente. A disponibilidade limitada de terreno tornou a expansão para cima a alternativa mais viável para acomodar uma população crescente dentro dos limites da cidade.
A concentração vertical permitiu reunir um número significativo de famílias em um espaço urbano compacto. Em vez de ampliar o perímetro construído, a cidade aproveitou a altura das torres para aumentar a capacidade de ocupação do território disponível.
A fortificação acrescentava uma dimensão defensiva a esse desenho. As casas altas e o perímetro protegido formavam, em conjunto, uma estrutura voltada tanto à concentração dos moradores quanto à proteção da população reunida naquele espaço.
Tijolos de barro e técnicas construtivas
Erguer edifícios de até sete andares com tijolos de barro secos ao sol exigia técnicas tradicionais capazes de sustentar o peso de vários pavimentos sobrepostos. As construções não dependiam de concreto moderno, e sua estabilidade exigia cuidado na distribuição do peso ao longo da estrutura vertical.
A altura alcançada pelas torres indica o nível de sofisticação técnica dos construtores de Shibam. O material, relativamente simples, foi utilizado em edificações residenciais de grande porte, organizadas para suportar a sobreposição dos andares.
Antecedente da construção vertical
Shibam é apresentada como precursora do conceito de arranha-céu pela combinação entre torres altas, população concentrada verticalmente e fortificação urbana. A comparação se baseia na solução encontrada para um problema semelhante ao das construções modernas: acomodar o maior número possível de pessoas em um espaço territorialmente limitado.
A cidade mostra como a construção em altura podia responder a restrições geográficas muito antes do uso de materiais e técnicas associados aos arranha-céus contemporâneos. No caso de Shibam, a verticalização foi realizada com tijolos de barro secos ao sol e integrada a uma malha urbana protegida.


