Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cultura

Mini livros viram chaveiros e ganham espaço na Bienal de São Paulo

Book charms transformam obras literárias em acessórios colecionáveis e atraem editoras, leitores jovens e fãs de clássicos.

Mini livros viram chaveiros e ganham espaço na Bienal de São Paulo
Foto: Planeta/Divulgação

Pequenos livros transformados em chaveiros ganharam espaço no mercado brasileiro e aparecem entre os destaques da Bienal do Livro de São Paulo 2026, realizada no Distrito Anhembi até o dia 13. Conhecidos como book charms, os acessórios unem a dimensão de objeto literário à possibilidade de carregar, presentear e colecionar títulos em miniatura.

A tendência ganhou visibilidade em setembro de 2025, quando a atriz Elle Fanning chegou ao desfile da Coach na Semana de Moda de Nova York com uma versão reduzida de Razão e Sensibilidade, de Jane Austen, presa à bolsa. Durante o desfile, modelos que usavam a nova versão da bolsa Kisslock também exibiram livros em miniatura. Depois, outros títulos passaram a aparecer com influenciadoras, atrizes e modelos, entre eles Eu Te Darei O Sol, de Jandy Nelson, e Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola, de Maya Angelou.

O acessório nasceu de uma colaboração da Coach com a Penguin Random House e recebeu o nome de book charm, expressão que pode ser traduzida como pingente de livro. No Brasil, editoras começaram a apostar no formato, com lançamentos e pré-lançamentos apresentados na Bienal.

Clarice Lispector em formato de chaveiro

A Rocco estreou no segmento com A Hora da Estrela, de Clarice Lispector. O item é vendido por R$ 59,90 no estande da editora e chega oficialmente ao mercado no final de setembro. A escolha do título, segundo o diretor comercial e de marketing da Rocco, Bruno Zolotar, levou em conta o reconhecimento da obra e seu desempenho comercial: o romance ultrapassou 100 mil exemplares vendidos até o final de agosto, conforme a pesquisa da Nielsen-Publish News.

A editora antecipou a apresentação do produto na Bienal para divulgar o conceito. De acordo com Zolotar, a receptividade levou ao envio de uma nova remessa, enquanto leitores já demonstram interesse por versões de Água Viva e A Paixão Segundo GH. A Rocco também planeja novos book charms de Clarice Lispector e avalia trabalhar com autores de ficção jovem.

Para Zolotar, o formato se relaciona à presença dos livros no universo da moda e à maneira como o objeto literário pode ser incorporado ao cotidiano. O livro, nessa proposta, permanece associado à leitura, mas também funciona como acessório e sinal de identidade.

Editoras apostam em clássicos e lançamentos

A Planeta publicou, em abril, o book charm de A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão, da psicanalista Ana Suy. Depois, lançou versões de As Aventuras de Mike, de Gabriel Dearo e Manu Digilio, e Talvez A Sua Jornada Agora Seja Só Sobre Você, de Iandê Albuquerque.

Felipe Brandão, diretor editorial da Planeta, afirma que a editora identificou a popularização do formato entre jovens leitores americanos e decidiu investir antes de outras editoras brasileiras. A estratégia começou por obras conhecidas, com comunidades de leitores engajadas, mas também incluiu clássicos, com a expectativa de aproximá-los de novas gerações.

Entre as editoras que escolheram obras clássicas estão a Principis, com livros de Jane Austen e Emily Brontë, e a Pé Da Letra, que também oferece títulos de Machado de Assis, Franz Kafka e Antonie De Saint-Exupéry. Michele de Souza, editora do selo Principis, explica que a seleção considera o interesse dos leitores, a abrangência das obras e o modo como cada título funciona dentro de uma coleção.

O maior resultado da Planeta até agora, porém, veio de um romance inédito. Para a Bienal, a editora lançou o book charm de O Diário de Tarefas Gnomosas do Floreante Viajante, novo livro de Maidy Lacerda, autora voltada ao público infantil. O produto foi o mais vendido no estande da editora no primeiro final de semana do evento.

Para Brandão, o desempenho indica que o book charm pode atuar também como uma forma de descoberta. O formato acrescenta ao livro uma dimensão física ligada ao afeto, à identidade e ao colecionismo, sem deslocar a obra literária do centro da experiência.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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