A modernização do Exército do Peru passou a combinar aquisição de equipamentos, ampliação da manutenção e formação de capacidade industrial própria. A estratégia envolve blindados, artilharia, veículos táticos, sensores e sistemas não tripulados, mas ainda depende de contratos concluídos, treinamento e orçamento para preservar os equipamentos ao longo das décadas.
O esforço também procura reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros. A Fábrica de Armas e Munições do Exército (FAME) ampliou, em 2025 e 2026, acordos com empresas da Coreia do Sul e de Israel para incorporar plataformas e desenvolver conhecimento em montagem, suporte e manutenção.
Acordos com a indústria estrangeira
A parceria com a Hyundai Rotem abriu caminho para a futura incorporação do tanque K2 Black Panther e do blindado 8×8 K808 White Tiger. O K2 reúne sensores, controle de tiro, proteção e mobilidade mais avançados que os associados a carros de combate antigos presentes no inventário peruano.
O K808 foi projetado para ampliar a mobilidade protegida das tropas em diferentes tipos de terreno. Unidades do blindado chegaram ao país em 2026, e a cooperação prevê participação da indústria local na montagem, no suporte e na transferência de tecnologia.
A FAME também firmou parceria com a Elbit Systems para modernizar capacidades de artilharia. Paralelamente, o Exército incorporou veículos táticos KLTV e ampliou sua infraestrutura de manutenção. Em 2026, o Centro de Manutenção Aeronáutica do Exército apresentou novos bancos de prova e recuperou um helicóptero Mi-171Sh.
Manutenção e conhecimento técnico
A transferência de tecnologia ocupa papel central porque sistemas militares modernos exigem peças, software, treinamento e manutenção contínua. Quando atualizações e reparos dependem integralmente do exterior, a disponibilidade operacional fica condicionada ao fornecedor. A montagem e o suporte domésticos podem reduzir parte dessa dependência e formar técnicos capazes de manter os equipamentos em serviço.
A FAME pretende aproveitar os acordos para desenvolver mão de obra, infraestrutura e uma cadeia de fornecedores. O processo não transforma imediatamente o Peru em produtor completo de sistemas militares, mas amplia uma base técnica que antes era menor.
Limites do avanço
O Exército do Peru também reuniu empresas de defesa em um roadshow voltado a sistemas não tripulados, soluções aeroespaciais, defesa e equipamentos táticos. A iniciativa indica que a renovação inclui sensores, drones e integração tecnológica, além dos veículos e sistemas de artilharia.
O país ainda não pode ser colocado no mesmo nível das grandes potências militares. Essas forças combinam orçamento muito maior, estoques extensos, aviação avançada, defesa aérea em profundidade, satélites, inteligência, logística global e capacidade industrial de escala. A aquisição de sistemas modernos não elimina essa diferença estrutural.
O avanço peruano está concentrado na redução de lacunas específicas em mobilidade blindada, artilharia, manutenção e digitalização. Seu efeito duradouro dependerá da conclusão dos contratos, das entregas, do treinamento e dos recursos destinados a peças, munição, manutenção e pessoal preparado.


