Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Oleshky perde rotas de saída e aguarda retirada de moradores em meio à fome

Cidade sob controle russo enfrenta minas, falta de documentos, atendimento médico limitado e ausência de alimentos antes do inverno.

Oleshky perde rotas de saída e aguarda retirada de moradores em meio à fome

Ao menos 358 pessoas precisam ser retiradas com urgência de Oleshky, na região de Kherson, segundo o comissário de direitos humanos do Parlamento ucraniano, Dmytro Lubinez. O número reúne apenas os casos já identificados na cidade, que permanece sob controle russo desde fevereiro de 2022.

A tentativa de retirada enfrenta obstáculos em diferentes frentes. A rota que ligava Oleshky às aldeias de Radensk e Tarasivka, com destino a Skadovsk, deixou de ser segura depois de ataques de drones contra os veículos que faziam o percurso. Ambulâncias chegaram a substituir os micro-ônibus, mas pararam de circular havia um mês e meio, após a morte de um motorista durante uma viagem.

Uma cidade sem saída

Uma moradora identificada como Halyna — nome fictício usado por razões de segurança — afirmou que duas mulheres morreram enquanto buscavam alimentos. “Você sai de casa e pode morrer no caminho”, disse.

As minas espalhadas pelas ruas foram encobertas pela neve a partir de dezembro de 2025, dificultando ainda mais a circulação. A população também enfrenta a perda de documentos. Muitos moradores tiveram passaportes russos ou ucranianos destruídos em incêndios ou na inundação de 2023 e, por isso, não conseguem sacar benefícios sociais depositados em contas bancárias.

Segundo os relatos, não há representantes da administração de ocupação russa na cidade para intermediar essas questões. Lubinez afirmou que havia entendimentos preliminares entre Kiev e Moscou para um cessar-fogo temporário, com participação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, mas a parte russa não voltou a confirmar disposição para realizar a operação.

Alimentos e serviços em falta

Cerca de 6 mil pessoas continuam isoladas em Oleshky, entre elas 180 crianças. A cidade não recebe alimentos desde o fim de maio. A informação foi dada por Tetjana Hasanenko, chefe da administração militar ucraniana do município, que atua a partir de território controlado por Kiev.

Sem eletricidade, gás e combustível em quantidade suficiente, os moradores retiram água de poços. A circulação nas ruas se concentra entre 7h e 9h, quando a população se reúne em uma praça para trocar ou vender produtos de hortas e estoques. Abobrinhas chegaram a ser negociadas por mil rublos o quilo, cerca de R$ 60, enquanto um saco de farinha foi oferecido por 200 mil rublos.

As refeições foram reduzidas a sopas preparadas com restos de hortaliças. Halyna relatou que sua alimentação diária pode se resumir a um pão achatado feito de água e farinha, purê de maçã e chá sem açúcar. Ela disse não se lembrar de ter comido carne desde o Ano Novo.

A ruptura da barragem de Kakhovka, em junho de 2023, também deixou consequências sobre os estoques domésticos. Moradores passaram a esvaziar porões alagados para procurar conservas que poderiam ter restado da enchente. Para Hasanenko, a situação chegou ao ponto de ser descrita como fome coletiva.

Atendimento médico e frio

Pessoas feridas por minas não têm acesso adequado a tratamento, de acordo com Halyna. O hospital tem um cirurgião, mas não conta com anestesista nem medicamentos. Pacientes internados recebem apenas uma pequena porção de mingau de sêmola preparado com água, sem possibilidade de aquecimento.

A lenha disponível também acabou, o que impede a preparação para as temperaturas mais baixas. Hasanenko defende a abertura de um corredor humanitário para retirar os moradores. Sem avanço nas tratativas, a expectativa relatada por Halyna para os próximos meses é de agravamento da escassez: “Só ficou pior: o inverno está chegando e não há nada para comer”.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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