Um drone atingiu nesta sexta-feira (4) a sede do Serviço de Segurança da Ucrânia, o SBU, em Kiev, na primeira ação desse tipo contra o prédio desde o início da guerra. O alvo foi o escritório de Oleksandr Poklad, diretor interino da agência, que não estava na sala no momento do ataque. Cinco pessoas ficaram feridas, informou o presidente Volodimir Zelenski no X.
Zelenski disse ter conversado com Poklad. Colunas de fumaça foram vistas saindo do edifício, localizado na rua Volodimirska, na região central da capital ucraniana. A Rússia não comentou especificamente o ataque.
O SBU é o principal órgão de segurança governamental da Ucrânia. A agência atua na segurança interna e também como unidade militar, em uma estrutura que sucede a antiga KGB soviética. Sob seu comando está o Grupo Alfa, responsável por operações com mísseis, drones e infiltrações em território russo.
Em 2025, o grupo atacou cinco bases aéreas russas com pequenos drones contrabandeados no teto retrátil de caminhões. A ação destruiu talvez 10% da força de bombardeiros da Rússia e foi uma das maiores vitórias simbólicas da unidade.
Ataques contra edifícios do governo são raros no conflito. No ano passado, um míssil balístico Iskander-M atingiu o prédio dos ministérios. Setores linha-dura da Rússia defendem que Vladimir Putin ataque diretamente Luiz Inácio Zelenski.
Disputa sobre o espaço aéreo
O ataque ocorreu depois de o governo ucraniano pedir à Organização Internacional de Aviação Civil que orientasse empresas a evitar todo o espaço aéreo russo, diante do aumento do uso de drones e mísseis sob ordens do SBU. A Rússia respondeu ao órgão da ONU que a ameaça “não tem força legal e distorce a real situação”.
Desde o início da guerra, empresas aéreas ocidentais e de países asiáticos como o Japão deixaram de voar para a Rússia em razão das sanções. Algumas companhias, entre elas Turkish Airlines e Emirates, mantiveram rotas para Moscou e outras cidades, desviando de áreas consideradas críticas.
O risco também é associado à destruição de um Boeing-777 da Malaysia Airlines no leste ucraniano, em 2014, e ao abate acidental de um Embraer-190 da Azerbaijan, em 2024. Nenhuma grande operadora que ainda voa para a Rússia aceitou o pedido ucraniano. A Air Tanzania suspendeu seus voos.


