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Londres reafirma soberania sobre Malvinas após plano naval de Milei

O governo britânico rejeitou as declarações do presidente argentino em meio a tensões sobre petróleo, Trump e a disputa pelo arquipélago.

Londres reafirma soberania sobre Malvinas após plano naval de Milei
Foto: AFP

O governo do Reino Unido reafirmou nesta sexta-feira (4) seu compromisso com as Ilhas Malvinas, depois de o presidente argentino, Javier Milei, anunciar a construção de uma base naval na Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina. A iniciativa ocorre em meio à disputa de soberania pelo arquipélago, administrado pelos britânicos e reivindicado por Buenos Aires.

O ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, respondeu que “As Falklands são britânicas porque os habitantes escolhem ser britânicos”. Em outra manifestação, afirmou que o compromisso do Reino Unido com as Malvinas é absoluto e inabalável. Para ele, as declarações de Milei dizem mais sobre a política interna argentina do que sobre a situação das ilhas.

Milei também declarou que pretende punir empresas que planejam iniciar, nos próximos meses, a exploração de petróleo na região. As Malvinas permanecem no centro de uma disputa que atravessa mais de 40 anos, desde a guerra de 1982 entre Argentina e Reino Unido, encerrada com a rendição argentina.

Petróleo e pressão internacional

A tensão aumentou após a divulgação de um projeto britânico-israelense de exploração petrolífera próximo ao arquipélago. O campo Sea Lion fica a cerca de 225 quilômetros ao norte das Malvinas e é operado pela israelense Navitas Petroleum, listada na bolsa de Tel Aviv. A britânica Rockhopper Exploration, listada em Londres, também está entre suas acionistas.

As primeiras perfurações ocorreram em 2010, quando a Argentina classificou a atividade como ilegal. Estima-se que o campo contenha 1,7 bilhão de barris de petróleo. Nesta sexta-feira, as ações da Rockhopper caíram 6% e as da Navitas recuaram 2%. As duas empresas disseram possuir licenças válidas para a exploração.

A disputa ganhou novo impulso depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou intervir. Washington reconhece que o Reino Unido administra de fato o arquipélago, mas não tomou posição definitiva sobre a soberania. O governo Trump estaria avaliando uma mudança nessa postura para pressionar Londres a elevar seus gastos militares.

Em entrevista à GB News, Trump sugeriu ainda que não ajudaria o Reino Unido em um eventual conflito futuro com a Argentina pelas Malvinas. O presidente americano relacionou sua insatisfação à falta de apoio britânico na guerra no Irã. Milei afirmou, em cadeia nacional, que os ventos de mudança favorecem a reivindicação argentina e que a declaração de Trump representa uma ameaça que não é inócua.

Disputa diplomática

Milei havia defendido a diplomacia como principal caminho para a reivindicação argentina, mas passou a adotar um tom mais confrontador diante da previsão de novas perfurações e das menções de Trump às ilhas. O presidente também disse que os habitantes do arquipélago não têm direito legítimo à autodeterminação e apresentou a base naval como uma forma de fortalecer a presença militar em uma área estratégica para o futuro do país.

A soberania das ilhas é objeto de uma resolução da ONU aprovada em 1965, que pede a Argentina e Reino Unido que evitem decisões unilaterais e resolvam o impasse pela via diplomática.

Para Tomás Mugica, cientista político e diretor do Centro de Estudos Internacionais da Universidade Católica Argentina, a questão é usada por Trump como instrumento de pressão sobre o Reino Unido, especialmente em relação ao financiamento da Otan e à colaboração na guerra no Irã. Ele recomendou cautela diante da possibilidade de mudança na posição americana.

Juan Battaleme, cientista político e ex-secretário de Assuntos Internacionais para a Defesa do governo de Milei, avaliou que a postura de Trump faz parte da chamada doutrina Donroe, associada à ideia de supremacia dos Estados Unidos sobre a América Latina.

Milei trata do tema em um período de queda de popularidade, a pouco mais de um ano das eleições em que buscará um segundo mandato. Pesquisas recentes indicam que 34% aprovam o governo, enquanto 55% o desaprovam. Mugica afirmou que existe amplo consenso entre a população e as elites políticas sobre a legitimidade da reivindicação argentina.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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