Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cultura

Janmashtami celebra Krishna entre devoção, filosofia e renovação da esperança

A celebração hindu recorda o nascimento de Krishna e seus ensinamentos sobre dever, consciência, devoção e ação sem apego aos resultados.

Milhões de pessoas celebram, nesta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, o Krishna Janmashtami, uma das principais datas religiosas e culturais da Índia. A festa marca o nascimento — ou o aparecimento, na linguagem vaishnava — de Sri Krishna, figura central da espiritualidade hindu e mestre da Bhagavad Gita.

A data é observada no oitavo dia, Ashtami, da quinzena minguante associada ao mês de Bhadrapada em uma das formas do calendário hindu. Por isso, Janmashtami reúne os termos janma, nascimento, e ashtami, oitavo dia. A data exata de algumas observâncias pode variar conforme a tradição e o calendário lunar adotado.

O nascimento em meio à tirania

A narrativa tradicional situa o nascimento de Krishna em Mathura, no norte da Índia, durante o reinado de Kamsa. O rei teria recebido a profecia de que seria morto pelo oitavo filho de sua irmã, Devaki. Por temor, aprisionou Devaki e Vasudeva e passou a eliminar os filhos do casal.

Krishna teria nascido à meia-noite. Vasudeva deixou a prisão com o recém-nascido, atravessou o rio Yamuna e o levou a Gokul. Ali, Krishna foi criado por Nanda e Yashoda, distante do poder de Kamsa. Mais tarde, retornou a Mathura, derrotou o tirano e restaurou a ordem.

Para a tradição vaishnava, Krishna é uma manifestação divina. Em correntes como a Gaudiya Vaishnava, seguida pelo movimento Hare Krishna, é compreendido como a Suprema Personalidade de Deus. O Janmashtami recorda também a manifestação do divino para restabelecer o dharma, entendido, conforme o contexto, como dever, retidão, ordem ética ou caminho correto.

Da infância à Bhagavad Gita

Krishna aparece nas tradições como bebê protegido, menino travesso, pastor de vacas, tocador de flauta, amado de Radha, príncipe de Dwarka, amigo de Arjuna e mestre espiritual. As histórias de sua infância associam a experiência religiosa à intimidade, à alegria e ao amor, elementos centrais do bhakti, caminho espiritual baseado na devoção amorosa.

Na Bhagavad Gita, inserida no Mahabharata, Krishna orienta Arjuna durante uma crise moral no campo de batalha de Kurukshetra. O diálogo aborda o dever, a ação correta, o sofrimento, a consciência e a libertação do apego aos resultados.

A obra propõe que a pessoa cumpra seu dharma sem transformar a recompensa na razão última de sua existência. A ideia não é abandonar a ação, mas agir sem permitir que a paz interior dependa integralmente do resultado. A tradição também interpreta o campo de batalha como representação dos conflitos interiores entre medo, dever, desejo e consciência.

Bhakti, mantra e celebração

Na tradição Gaudiya Vaishnava, da qual deriva a Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON), o objetivo da existência é despertar o amor por Deus. Radha representa a devoção absoluta a Krishna, e a relação entre os dois se tornou uma imagem recorrente na literatura, na música, na dança e na arte religiosa indiana.

O mantra Hare Krishna é praticado como exercício de concentração e devoção. Pode ser repetido individualmente, por meio do japa, com contas de oração, ou coletivamente, no kirtan, acompanhado de instrumentos e dança.

Durante o Janmashtami, muitos devotos jejuam, visitam templos, leem escrituras, cantam bhajans e kirtans e meditam sobre os ensinamentos de Krishna. A celebração tradicional costuma culminar à meia-noite. Imagens de Bal Krishna podem ser banhadas, vestidas e colocadas em pequenos berços. Alimentos são oferecidos em devoção e depois compartilhados como prasadam.

Em algumas regiões, a celebração inclui o Dahi Handi, inspirado nas histórias do jovem Krishna e de sua ligação com a manteiga e os derivados do leite. Grupos formam pirâmides humanas para alcançar e quebrar potes suspensos.

Uma tradição além da Índia

A expansão internacional do movimento ganhou impulso no século XX com A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, fundador da ISKCON em Nova York, em 1966. A organização afirma manter mais de 700 grandes centros, templos e comunidades rurais, além de restaurantes vegetarianos, grupos locais e projetos comunitários em diferentes partes do mundo.

O Janmashtami, assim, reúne jejum e partilha, silêncio e música, contemplação e dança. Ao recordar Krishna nascido à meia-noite, em uma prisão submetida à tirania, a celebração reafirma para seus devotos a possibilidade de que a luz surja em meio à escuridão e de que o dharma seja reencontrado quando o medo e a injustiça parecem dominar.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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