Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Júri não chega a consenso e juiz anula julgamento de Lindsay Clancy

Decisão mantém a ex-enfermeira acusada pela morte dos três filhos, enquanto defesa e Promotoria divergem sobre psicose pós-parto.

Júri não chega a consenso e juiz anula julgamento de Lindsay Clancy
Foto: Greg Derr/AP Photo

O juiz William Sullivan anulou o julgamento de Lindsay Clancy depois que o júri não conseguiu alcançar unanimidade sobre a acusação de homicídio. Os jurados discutiram o caso por sete dias consecutivos, mas permaneceram divididos sobre a responsabilidade criminal da ex-enfermeira obstétrica pela morte dos três filhos, em Massachusetts.

Sullivan havia pedido que os jurados continuassem reunidos e examinassem as posições divergentes sem abandonar suas convicções apenas para produzir um veredito. Nesta sexta-feira, porém, diante da permanência do impasse, afirmou que não havia outra alternativa além de anular o julgamento.

O magistrado chegou a conceder uma hora para que a defesa apresentasse um recurso de emergência capaz de reativar o processo. Mesmo após a apresentação do recurso, Sullivan manteve a decisão de anulação.

Disputa sobre o estado mental

Clancy, de 36 anos, não contestou que estrangulou os filhos na casa da família, em Duxbury, subúrbio de Boston, em janeiro de 2023. A defesa sustenta que ela agiu durante um episódio de psicose pós-parto e pede que seja considerada sem responsabilidade criminal por insanidade.

A Promotoria, por sua vez, afirma que Clancy compreendia a ilegalidade de matar os filhos e escolheu agir intencionalmente. Dawson, de 3 anos, Cora, de 5, e Callan, de 8 meses, foram mortos no porão da residência com faixas elásticas de exercícios, segundo os elementos apresentados no julgamento.

Depois dos assassinatos, Clancy feriu-se com uma faca e saltou da janela do segundo andar, em uma tentativa fracassada de tirar a própria vida que a deixou paralisada. Ela trabalhava no Massachusetts General Hospital e havia buscado tratamento para problemas de saúde mental nos meses anteriores, após o nascimento do terceiro filho. Familiares, incluindo seu agora ex-marido, Patrick, prestaram depoimentos sobre esse período e sobre os medicamentos prescritos por profissionais de saúde.

A psicose pós-parto foi descrita pela defesa como um transtorno psiquiátrico raro, associado ao estresse, à privação de sono e às alterações hormonais posteriores ao parto. A Promotoria não negou que Clancy enfrentava dificuldades de saúde mental, mas sustentou que isso não eliminava sua capacidade de compreender seus atos.

Próximos caminhos

Se a defesa não recorrer e a anulação permanecer válida, o processo voltará ao estágio anterior ao julgamento. Clancy continuará acusada de homicídio e permanecerá em um hospital psiquiátrico enquanto o caso criminal não for resolvido.

A Promotoria poderá solicitar um novo julgamento. Nesse cenário, a seleção de outro júri será iniciada e uma nova sessão será marcada. Também poderá ser oferecido um acordo judicial, alternativa mencionada por Brad Bailey, advogado de defesa de Boston e ex-promotor que não participa do caso. Para Bailey, a possibilidade de um novo julgamento e a acusação de homicídio em primeiro grau levariam a defesa a avaliar uma resolução.

Um novo júri teria cinco possibilidades de desfecho. Poderia considerar Clancy inocente por falta de responsabilidade criminal, caso concluísse que a psicose pós-parto a impedia de responder por seus atos. Nessa hipótese, a lei estadual permite que a corte determine sua internação compulsória para tratamento.

Também poderia condená-la por homicídio doloso em primeiro grau, classificação associada a um ato intencional e premeditado ou cometido com extrema crueldade. Em Massachusetts, essa condenação resulta em prisão perpétua sem possibilidade de condicional.

Outra possibilidade seria o homicídio doloso em segundo grau, aplicado a um ato cometido com intenção ou extrema imprudência, mas sem planejamento prévio. Nesse caso, a pena é prisão perpétua com possibilidade de condicional.

O júri ainda poderia concluir que houve uma conduta temerária ou imprudente. Essa alternativa não exige que a Promotoria prove a intenção de causar a morte, mas considera que os assassinatos decorreram de uma decisão impulsiva e sem planejamento.

A lei de Massachusetts determina que cabe à Promotoria provar, para além de qualquer dúvida razoável, que Clancy era responsável pelos próprios atos no momento das mortes. O ônus da prova não recai sobre a ré.

O caso também provocou nos Estados Unidos discussões sobre psicose e outros transtornos pós-parto. Na semana passada, grupos de mulheres se manifestaram diante da corte em apoio a Clancy e defenderam maior atenção à saúde mental das mulheres. O processo foi comparado ao de Andrea Yates, do Texas, considerada inocente por insanidade em 2006 após ter afogado os cinco filhos em 2001.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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