O júri que analisa o caso de Lindsay Clancy encerrou o sexto dia de deliberações sem alcançar uma decisão unânime sobre a morte dos três filhos da ré. Em julgamentos criminais definidos por júri nos Estados Unidos, a unanimidade é necessária. Os jurados devem retomar o trabalho na sexta-feira (4).
O juiz William Sullivan recusou, nesta quinta-feira (3), o pedido do advogado de defesa Kevin Reddington para afastar um dos integrantes do grupo. A solicitação foi apresentada depois que os 12 jurados deixaram a sala de audiências, menos de uma hora após Sullivan receber um bilhete e voltar a explicar o significado de dúvida razoável.
O conteúdo da mensagem não foi lido em voz alta. Reddington alegou que um jurado estaria impedindo o consenso. “Se voltarmos aqui em meia hora com o julgamento anulado porque um jurado simplesmente desprezou as instruções deste tribunal, será uma pena”, disse o advogado ao juiz.
O júri já havia informado a Sullivan, por meio de bilhetes enviados na terça e na quarta-feira, que não conseguia chegar a uma conclusão unânime. Nas duas ocasiões, o magistrado orientou os jurados a prosseguir nas discussões.
A defesa não contesta que Clancy matou os filhos, mas sustenta que ela não deve ser responsabilizada criminalmente por estar inimputável em razão de uma alegada insanidade mental. Reddington afirmou que a ré agiu sob efeito de psicose pós-parto e disse, do lado de fora do tribunal, esperar um veredicto na sexta-feira (4). “Quando um bilhete que já está com o juiz diz que 11 jurados tomaram uma decisão e um jurado não aceita aplicar o princípio da dúvida razoável, acho que isso mostra em que ponto eles estão”, afirmou.
Acusações e tese da defesa
Clancy, 36, admitiu ter estrangulado os três filhos em 24 de janeiro de 2023, no porão da casa da família, no subúrbio de Duxbury, em Boston. Ela usou faixas elásticas de exercício e, depois, cortou-se com uma faca e pulou de uma janela do segundo andar, numa tentativa de tirar a própria vida. O ato a deixou paraplégica.
As vítimas foram Cora, 5, Dawson, 3, e Callan, de 8 meses. Durante o julgamento, familiares, entre eles Patrick, ex-marido de Clancy e pai das crianças, relataram problemas de saúde mental enfrentados por ela nos meses seguintes ao nascimento do terceiro filho. Nesse período, ela procurou repetidamente profissionais de saúde e recebeu uma série de medicamentos.
Os promotores não negam que Clancy, ex-enfermeira obstétrica do Massachusetts General Hospital, enfrentava dificuldades de saúde mental. A acusação afirma, porém, que ela compreendia que matar os filhos era errado e decidiu fazê-lo de forma intencional, convencida de que eles sofreriam sem ela após sua própria morte.
Caso o júri não chegue a um veredicto e Sullivan anule o julgamento, os promotores terão de decidir se apresentarão o caso novamente. O processo já reuniu mais de 80 testemunhas e mais de 300 provas documentais e materiais. Se for condenada por homicídio em primeiro grau, Clancy poderá receber prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Se for considerada inimputável, poderá ser internada em um hospital psiquiátrico estadual para avaliação.


