O julgamento de Lindsay Clancy, acusada de matar os três filhos nos Estados Unidos em 2023, foi anulado nesta sexta-feira (4) depois que o júri não conseguiu chegar a uma decisão unânime sobre sua culpa ou inocência. A medida não representa uma absolvição: Clancy continua ré, e a Procuradoria ainda poderá reapresentar as acusações, buscar uma condenação por outros crimes ou negociar um acordo.
O procurador Timothy Cruz afirmou que não haverá decisão imediata sobre os próximos passos. A próxima sessão do tribunal foi marcada para o dia 29. Nos Estados Unidos, acordos desse tipo costumam envolver a confissão de culpa em troca de uma sentença mais leve.
Acusação e defesa
No julgamento interrompido, a Procuradoria pedia a condenação de Clancy por homicídio em primeiro grau, crime semelhante ao homicídio doloso premeditado no Brasil. Em Massachusetts, esse delito prevê pena máxima de prisão perpétua sem possibilidade de condicional.
A defesa sustentou que Clancy estava sob o efeito de psicose pós-parto quando estrangulou os filhos — Cora, 5, Dawson, 3, e Callan, oito meses — e tentou cometer suicídio em janeiro de 2023. Ela sobreviveu e ficou paraplégica.
Ao longo de seis dias, os promotores tentaram demonstrar que a enfermeira tinha consciência da gravidade de seus atos. Um psicólogo chamado pela acusação disse ter concluído, após examiná-la, que Clancy matou as crianças por acreditar que elas sofreriam sem ela. Os procuradores também afirmaram que ela planejou as mortes ao pedir que o então marido saísse para comprar comida e ir à farmácia por tempo suficiente para que o crime fosse cometido.
A defesa apresentou o depoimento do ex-marido sobre os problemas de saúde mental de longa duração da ré, além das tentativas dela de buscar ajuda e dos medicamentos que usava, entre eles ansiolíticos e antidepressivos. Os advogados também mencionaram uma declaração feita por Clancy dias depois do crime, na qual ela disse ter ouvido uma voz ordenando que matasse os filhos.
Impasse no júri
Depois de duas tentativas sem sucesso de alcançar um veredicto unânime, a presidente do júri comunicou ao juiz William Sullivan que o impasse estava relacionado a um único jurado. Segundo ela, esse integrante havia expressado dúvida, mas não estaria seguindo as instruções da corte sobre o significado de dúvida razoável.
A defesa pediu o afastamento do jurado. Sullivan negou o pedido e, na sequência, anulou o julgamento. Com a decisão, o processo retorna ao início, sem impedir que a acusação tente levar o caso novamente a julgamento.


