A adesão ao Escudo das Américas e os relatos apresentados em uma reunião regional indicam uma articulação crescente entre países do continente para enfrentar cartéis, narcotráfico, crime organizado transnacional e terrorismo.
Quinze dos 35 Estados independentes das Américas aderiram ao mecanismo, o equivalente a cerca de 43%. Na 1ª Reunião Regional da Coalizão Contra Cartéis das Américas (CTTF, na sigla em inglês), perto de quinze países latino-americanos participaram dos debates. Dez deles informaram ter investigações em andamento ou concluídas sobre a presença, em seus territórios, de redes terroristas ligadas ao Irã.
Divergência sobre a resposta regional
A política externa brasileira critica com frequência a decisão soberana de países latino-americanos de participar do Escudo das Américas ou de adotar listas nacionais de organizações terroristas. Essa posição é associada, no texto, à ideia de que o Brasil não aceitaria deixar de ser reconhecido como o primeiro entre iguais na região.
A avaliação apresentada é que Brasília não reconhece a dimensão de um problema considerado concreto pelos demais países. A defesa de uma resposta mais assertiva e coordenada se contrapõe à negação das ameaças por meio de justificativas retóricas e jargões diplomáticos.
Essa postura também afetaria a credibilidade profissional de polícias, técnicos e investigadores dos países que aderiram às iniciativas. Quando a contestação parte de um país que pretende exercer liderança regional, a autonomia e a dignidade dos demais governos ficam no centro da disputa.
O debate na imprensa brasileira é descrito a partir de dois movimentos: a tentativa de minimizar a gravidade das ameaças e a transformação de uma questão hemisférica em um conflito doméstico envolvendo Lula, Trump e Bolsonaro. O texto também menciona decisões tomadas em Washington, Assunção ou Bogotá.


