Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Luiz Villaça transforma injustiça criminal em drama para a Netflix

Criador de Habeas Corpus leva à ficção o trabalho do Innocence Project Brasil e questiona o avanço do punitivismo no país.

Luiz Villaça transforma injustiça criminal em drama para a Netflix
Foto: Rafael Barion/Netflix/Divulgação

A série Habeas Corpus, criada por Luiz Villaça com Leonardo Moreira e Donna Oliveira, acompanha uma professora de direito e seus alunos na tentativa de provar a inocência de um jovem condenado por um crime que afirma não ter cometido. Inspirada no trabalho do Innocence Project Brasil, a produção estreou na Netflix em 23 de setembro, com oito episódios.

O projeto parte da atuação dos criminalistas Dora Cavalcanti, Flávia Rahal e Rafael Tucherman, que fundaram a organização em 2016. A entidade reúne advogados e estudantes para investigar casos de pessoas presas que podem ser inocentes e, quando há certeza sobre a inocência, abrir uma revisão criminal.

Para Villaça, a série dialoga com um país que se tornou mais punitivista. O diretor afirma que a produção aborda situações em que pessoas são presas sem terem participado dos crimes, inclusive por causa de reconhecimentos faciais. O trabalho do Innocence Project, segundo ele, já recebeu 9 mil pedidos em poucos anos.

Uma história ligada a São Paulo

A narrativa foi desenvolvida ao longo de um ano e meio, com oito roteiros elaborados a partir de estudos, workshops, pesquisas e da proximidade com uma dupla de advogados. A trama reúne três núcleos: os profissionais do direito, os estudantes e o jovem considerado inocente. A história ficcional foi construída a partir de diferentes casos estudados pela equipe.

As filmagens ocorreram em boa parte no entorno da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. A instituição também serviu de base para o núcleo estudantil. Entre os personagens estão o filho de um advogado bem-sucedido e um cotista, composição que permite à série aproximar diferentes experiências dentro do universo jurídico.

Villaça relaciona esse cenário ao vínculo que mantém com o centro de São Paulo. Paulistano nascido no Jabaquara, ele passou a infância acompanhando o avô nos passeios pela linha Santana-Jabaquara do metrô e o pai, gerente de propaganda do Mappin, nas montagens das vitrines em frente ao Theatro Municipal. A produtora Café Royal, da qual é sócio, fica no centro da capital.

O contato precoce com câmeras, equipes e comerciais filmados no Mappin ajudou a formar seu interesse pelo audiovisual. Antes de descobrir a linguagem cinematográfica, Villaça chegou a cursar seis meses de engenharia. Depois, por influência do pai, foi para a publicidade e encontrou na faculdade a área que queria seguir.

O olhar para pessoas comuns

A atenção às histórias de pessoas anônimas atravessa a carreira do diretor. No quadro Retrato Falado, exibido no Fantástico entre 2000 e 2007, Denise Fraga interpretava relatos vividos por pessoas comuns. Mais tarde, os dois criaram o monólogo Eu de Você, montado com quase 300 relatos enviados pelo público ao longo de seis meses.

O casal também criou A Vida Convida, projeto viabilizado pela Vivo em que Denise propõe a desconhecidos conversas e experiências afastadas das telas dos celulares. A segunda temporada está no ar. Para Villaça, a iniciativa nasceu do desejo de exercitar, nas ruas, o olhar, a escuta, o abraço e a contemplação.

Esse princípio também aparece em Habeas Corpus. Ao levar a discussão sobre o sistema de Justiça para uma série, Villaça procura apresentar as desigualdades existentes entre quem tem recursos para se defender e quem não tem. A produção mostra tanto o ambiente de escritórios da Faria Lima quanto a formação dos estudantes na São Francisco.

O diretor defende ações pequenas diante de um cenário que considera marcado pela ansiedade e pela disposição de julgar. “Cabe a nós sermos formiguinhas, fazermos pequenos gestos”, disse Villaça.

Trabalho coletivo

A série também representa uma mudança na maneira como o diretor enxerga o set de filmagem. Aos 60 anos, ele afirma que passou a ouvir mais, buscar consensos e compreender melhor as inseguranças compartilhadas pela equipe.

Durante as filmagens, Villaça conviveu com cerca de dez jovens que são filhos de antigos parceiros profissionais. A presença dessa nova geração reforçou a percepção de que uma produção depende da colaboração entre pessoas em momentos diferentes da vida.

“Com a tua insegurança e com a minha, a gente forma uma coisa que vai dar certo”, afirmou o diretor ao descrever o espírito do trabalho coletivo. Para ele, cada integrante do set ajuda a sustentar o outro enquanto a obra é construída.

Villaça e Denise Fraga estão juntos há 32 anos. Nesse período, fizeram filhos, casa, teatro, cinema, séries, amigos e jantares, além de estabelecerem uma parceria profissional e de pensamento. A colaboração entre os dois atravessa projetos como Retrato Falado, Eu de Você e A Vida Convida, além da trajetória de ambos no teatro, no cinema e na televisão.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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