Vinte e dois blocos monumentais ligados ao Farol de Alexandria foram retirados do fundo do mar durante uma campanha arqueológica no Mediterrâneo. Algumas peças pesam entre 70 e 80 toneladas e estão entre os maiores fragmentos conhecidos do sítio submerso. O material será estudado e digitalizado para contribuir com uma reconstrução científica da antiga estrutura.
Entre os elementos recuperados estão vergas e jambas da entrada monumental, a soleira e grandes lajes da base. A operação também revelou partes de um monumento até então desconhecido, formado por um pílone com porta de estilo egípcio e técnica helenística. O achado amplia as informações disponíveis sobre a aparência e a organização original do farol.
A Fundação Dassault Systèmes informa que os blocos foram içados no âmbito do programa PHAROS, sob supervisão científica da arqueóloga e arquiteta Isabelle Hairy, do CNRS. O tamanho das peças permite examinar medidas, encaixes e marcas de construção que não poderiam ser compreendidos da mesma maneira a partir de fragmentos menores. A comparação entre os elementos ajuda a testar hipóteses sobre a forma como a estrutura foi erguida junto ao porto.
A referência a mais de 1.600 anos não significa que os blocos tenham permanecido todo esse período sob a água. O Farol de Alexandria funcionou por quase 16 séculos, até que sua luz se apagou em 1303, depois de danos severos provocados por um tsunami. A estrutura não foi restaurada e passou a servir como fonte de pedras, sofrendo novas perdas até desaparecer. Parte da alvenaria deslocada terminou no Mediterrâneo, onde as escavações subaquáticas sistemáticas começaram na década de 1990.
Dados para uma reconstrução digital
Os pesquisadores utilizam fotogrametria e escaneamento para produzir cópias digitais precisas dos fragmentos. Os modelos permitem comparar dimensões e testar possíveis posições sem movimentar repetidamente peças que pesam dezenas de toneladas.
O PHAROS reúne arqueólogos, historiadores, arquitetos, numismatas e engenheiros. O projeto combina os vestígios físicos com descrições e imagens antigas para produzir um modelo tridimensional científico da estrutura externa e de seus espaços internos.
Construído no início do século III a.C., o farol orientava navegadores que se aproximavam de Alexandria e se tornou um símbolo da importância marítima da cidade. As fontes reunidas pelo projeto trabalham com uma estrutura de aproximadamente 100 metros de altura. O objetivo atual não é reconstruí-la fisicamente, peça por peça, mas transformar pedras dispersas em evidências comparáveis e preservar novos dados sobre uma construção desaparecida há séculos.


