Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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ONU aprova referência cartográfica que reduz distorções do mapa de Mercator

Resolução apoiada por 164 Estados-membros adota a projeção Equal Earth e critica efeitos históricos da representação eurocentrada.

ONU aprova referência cartográfica que reduz distorções do mapa de Mercator
Foto: Equal Earth/Reprodução

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou na última sexta-feira (4) uma nova referência cartográfica para representar o mundo com proporções mais próximas da realidade. A decisão substitui a centralidade da projeção de Gerhard Mercator, que amplia regiões próximas aos polos e reduz visualmente áreas como a África e a América Latina.

A iniciativa, chamada de “Corrija o mapa”, foi proposta por países-membros da União Africana. A resolução recebeu o apoio de 164 Estados-membros; seis optaram pela abstenção, e apenas os Estados Unidos votaram contra.

Por que a projeção de Mercator é questionada

Desenvolvida em 1569, durante o período das Grandes Navegações, a projeção de Mercator transforma a superfície esférica da Terra em um plano. Seu ponto tangente é a Linha do Equador, enquanto paralelos e meridianos aparecem como linhas retas que se cruzam em ângulos de 90º.

O modelo preserva formas, direções e ângulos, mas amplia as áreas localizadas nas proximidades dos polos. Com isso, o Hemisfério Norte ganha destaque, e a Europa ocupa uma posição central. A resolução aprovada pela ONU afirma que essa organização “perpetua uma visão desequilibrada do mundo” e associa a revisão cartográfica a “justiça cognitiva e reparação memorial”, especialmente em relação à África.

A discussão parte da ideia de que mapas não são apenas representações técnicas. Eles registram escolhas, crenças e relações de poder de seu período de produção. Para os defensores da mudança, a maneira como as áreas são organizadas pode influenciar a percepção do mundo e o imaginário coletivo, favorecendo o Norte Global em relação a países africanos, latino-americanos e asiáticos.

Equal Earth e outras formas de representar o planeta

O novo modelo utiliza a projeção Equal Earth, ou Projeção da Terra Igual, criada em 2018 por Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny. A proposta preserva as proporções entre as áreas e busca oferecer uma representação decolonial, em oposição à perspectiva eurocentrista associada à projeção de Mercator.

Outra alternativa mencionada é a projeção de Gall-Peters, associada ao cartógrafo Arno Peters e inicialmente pensada por James Gall em 1885. Ela mantém as proporções das áreas, mas modifica suas formas. Nesse caso, a África e outros países do Sul Global aparecem em posição de maior destaque, enquanto os territórios do Norte ocupam um espaço menor. O modelo foi criticado por sua suposta falta de cientificidade e recebeu a denominação de “terceiro-mundista”.

A resolução também afirma que as distorções cartográficas produzem efeitos cognitivos, educacionais, culturais, geopolíticos e socioeconômicos. A correção desses vieses históricos é apresentada como caminho para reconhecimento, justiça e desenvolvimento.

A posição dos Estados Unidos

Os Estados Unidos se opuseram à resolução, apesar de o documento mencionar o “Pacto para o Futuro”, acordo internacional defendido pela ONU para enfrentar desigualdades históricas e estruturais e discriminações.

Na última segunda-feira (7), o presidente Donald Trump publicou, na rede social Truth Social, uma imagem em que Estados Unidos, Canadá, Groelândia, Islândia, México, América Central e Caribe aparecem cobertos pela bandeira estadunidense. O governo da Islândia pediu explicações sobre a postagem e ainda não havia recebido resposta no momento da publicação.

Principais tipos de projeção

A cartografia combina conhecimentos de áreas como geografia e matemática. Entre os modelos mais conhecidos estão o azimutal ou plano, construído a partir de um plano tangente a determinada região; o cilíndrico, que usa um cilindro e conserva formas, direções e ângulos, mas altera proporções; e o cônico, baseado em um cone, no qual os meridianos se orientam em direção aos polos e os paralelos formam arcos.

As projeções também podem ser classificadas por suas propriedades. A equidistante preserva a escala e as distâncias em uma direção fixa, mas deforma áreas e ângulos. A conforme mantém os ângulos e altera as áreas. A equivalente conserva as proporções e modifica os ângulos. Já a afilática não preserva ângulos, áreas ou comprimentos, embora apresente menos deformação.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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