Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cultura

Zuenir Ventura revisita 1968 e aponta 1994 como outro ano decisivo

Em entrevista de 2008, escritor relaciona a memória de 1968 às transformações políticas, culturais e esportivas vividas pelo Brasil em 1994.

Zuenir Ventura revisita 1968 e aponta 1994 como outro ano decisivo
Foto: Marcos De Paula/Estadão

A trajetória de Zuenir Ventura como intérprete da história brasileira passa por dois anos que permanecem associados à memória coletiva: 1968 e 1994. Em entrevista realizada em 2008, o escritor falou sobre o período que narrou em 1968: O Ano que Não Terminou e sobre o livro 1968: O que Fizemos de Nós, publicados em uma caixa de livros dedicada aos 40 anos do movimento que agitou o Brasil e o mundo.

Ventura transformou 1968 em uma referência da história do país ao descrevê-lo sob a perspectiva do New Journalism, forma de narrativa que combinava a apuração dos fatos com recursos literários e que teve Gay Talese como mestre. O primeiro livro também serviu de base para a minissérie Os Anos Rebeldes, da TV Globo. A produção é apontada como um dos fatores que estimularam jovens a ocupar as ruas em protestos contra Fernando Collor, então presidente do Brasil.

O escritor identifica em 1994 um possível equivalente de 1968. Naquele ano, Nelson Mandela tornou-se presidente e o Apartheid foi encerrado. No Brasil, a morte de Ayrton Senna marcou o início do período. O piloto morreu em uma curva e tornou-se um mito; em São Paulo, a população acompanhou a passagem do caixão pelas principais vias da cidade entre aplausos, papel picado e comoção.

O ano terminou com o tetracampeonato mundial da Seleção Brasileira, conquistado nos Estados Unidos. A equipe chegou desacreditada, avançou na competição e venceu a Itália nos pênaltis. Uma faixa exibida pelos jogadores recordava Senna, conectando a celebração esportiva ao luto que havia atravessado o país.

Entre esses acontecimentos, o Plano Real ganhou vida. Um grupo de economistas criou uma moeda por trás da moeda vigente, sob o comando de Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda. O plano enfrentou a inflação, descrita como um problema que punia sobretudo os mais pobres. Cardoso foi eleito presidente no primeiro turno e, em 2002, transferiu a faixa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva.

A sequência de acontecimentos levou à conclusão de que 1994 também poderia ter sido tema de um livro de Zuenir Ventura.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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