Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cultura

Morre Zuenir Ventura, autor de “1968: O Ano que Não Terminou”

Escritor e jornalista mineiro morreu aos 95 anos; família confirmou a morte nesta terça-feira, 22.

Morre Zuenir Ventura, autor de “1968: O Ano que Não Terminou”
Foto: Marcos De Paula/Estadão

O escritor e jornalista Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira, 22. A informação foi confirmada pela família. Ele deixa a esposa, Mary Ventura, e os filhos Elisa e Mauro.

Nascido em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, no município mineiro, Ventura se tornou membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e construiu uma trajetória associada à renovação do jornalismo brasileiro. Aos 11 anos, mudou-se para Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro. Na cidade, manteve os estudos enquanto ajudava o pai, que era pintor, e trabalhou como office boy.

Jornalismo e literatura

Ainda jovem, recebeu uma bolsa de estudos no colégio em troca de dar aulas para crianças do então primário. Seu desejo inicial era ser professor. Aos 20 anos, mudou-se para a capital fluminense e cursou Letras Neolatinas na Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A carreira jornalística começou como assistente de Carlos Lacerda no jornal Tribuna de Imprensa, onde também foi correspondente em Paris. Mais tarde, passou por Jornal do Brasil, O Globo e Veja. Seu trabalho incorporou recursos literários à narrativa jornalística, em diálogo com o chamado New Journalism, movimento associado a Gay Talese, Tom Wolfe e Truman Capote.

Como escritor, alcançou projeção nacional ao tratar de acontecimentos históricos por meio de uma narrativa acessível. Seu livro mais conhecido, 1968: O Ano que Não Terminou, revisitou a ditadura a partir de aspectos culturais e políticos. A obra inspirou a minissérie Os Anos Rebeldes, produzida pela TV Globo, e teve 48 edições, com mais de 400 mil exemplares vendidos, conforme dados da ABL. Um de seus capítulos também deu origem ao filme O Homem que Disse Não, realizado para a televisão francesa por Olivier Horn.

Ventura recebeu o Prêmio Jabuti por Cidade Partida, livro dedicado às raízes da violência no Rio de Janeiro. Em Chico Mendes: Crime e Castigo, reuniu o resultado de uma série de reportagens sobre o assassinato do líder seringueiro. Pela série O Acre de Chico Mendes, recebeu, em 1989, o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog.

Reconhecimento e últimos trabalhos

Em 2008, recebeu da ONU um troféu especial por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no país. Em 2010, foi escolhido como “O jornalista do ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros. Em 30 de outubro de 2014, foi eleito para a cadeira nº 32 da ABL, sucedendo o acadêmico Ariano Suassuna.

Entre seus outros livros estão Inveja: Mal Secreto, dedicado a uma análise social do pecado, e Minhas Histórias dos Outros. Para escrever Sobre o Tempo, isolou-se em uma fazenda no Rio de Janeiro com o amigo Luis Fernando Verissimo. Seu último lançamento foi o romance Sagrada Família, publicado pela Alfaguara.

Em 2026, sua trajetória foi tema do documentário Mestre Zu, dirigido por Zelito Viana. O filme reuniu depoimentos de Cacá Diegues, Miriam Leitão, Nelson Motta e Heloísa Teixeira. Na ocasião do lançamento, Viana afirmou que, para Zuenir, o jornalismo “era uma maneira de ser”.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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