RIO DE JANEIRO — O velório de Zuenir Ventura será realizado nesta quarta-feira, 23, na sede da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Centro do Rio de Janeiro. A cerimônia será aberta ao público. O enterro está previsto para o Cemitério São João Batista, em Botafogo, também no Rio de Janeiro.
Ventura morreu nesta terça-feira, 22, em decorrência de uma pneumonia. Sua carreira foi marcada pela combinação entre recursos literários e texto jornalístico, característica associada ao New Journalism, movimento que teve entre seus expoentes Gay Talese, Tom Wolfe e Truman Capote.
Carreira no jornalismo e na literatura
O jornalista iniciou a trajetória profissional como assistente de Carlos Lacerda, no jornal Tribuna de Imprensa, e chegou a atuar como correspondente em Paris. Mais tarde, trabalhou no Jornal do Brasil, em O Globo e na revista Veja, acompanhando transformações sociais do País.
Na literatura, alcançou projeção nacional ao narrar acontecimentos históricos de maneira acessível. Seu livro 1968: O Ano que Não Terminou revisitou o período da ditadura a partir de aspectos culturais e políticos e se tornou uma de suas obras mais conhecidas.
Em 1989, Ventura recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog pela série de reportagens O Acre de Chico Mendes. Em 2008, a ONU concedeu a ele um troféu especial por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no País ao longo dos últimos 30 anos.
A vida do jornalista também foi tema, em 2026, do documentário Mestre Zu, dirigido por Zelito Viana. O filme reuniu depoimentos de Cacá Diegues, Miriam Leitão, Nelson Motta e Heloísa Teixeira. Na ocasião do lançamento, Viana afirmou que, para Ventura, o jornalismo “era uma maneira de ser”.


