Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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A vigilância de “1984” na decisão de André Mendonça sobre a PF

Ministro associou o controle descrito por George Orwell à atuação da inteligência da Polícia Federal sobre autoridades do Judiciário.

A vigilância de “1984” na decisão de André Mendonça sobre a PF
Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A decisão de André Mendonça que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, recorreu à literatura para descrever a gravidade da produção e da circulação de relatórios de inteligência elaborados pela corporação. O ministro do Supremo Tribunal Federal comparou a vigilância sobre autoridades do Judiciário ao sistema de controle apresentado por George Orwell em 1984.

Mendonça afirmou que o quadro analisado se aproximava da distopia do escritor britânico. “Diante do quadro ora apresentado, que mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell em sua célebre distopia, intitulada ’1984′, verifica-se, a mais não poder, que revelam fatos de extrema gravidade”, escreveu.

Uma sociedade sob observação

Publicado em 1949, 1984 apresenta Oceânia, um megaestado formado por territórios que antes correspondiam ao Reino Unido, à América, à Austrália, à Nova Zelândia e a partes da África. Nesse universo, o governo exerce controle integral sobre a população e mantém os cidadãos sob observação constante.

A vigilância é conduzida em nome do Big Brother, ou Grande Irmão, figura central do regime e inspiração para o reality show homônimo. As pessoas são acompanhadas por teletelas instaladas inclusive dentro de suas casas, sem espaço privado fora do alcance do poder.

O protagonista é Winston, funcionário do Ministério da Verdade. Sua tarefa consiste em modificar documentos por determinação do Partido, responsável pelo governo de Oceânia. Ao reescrever notícias antigas, ele ajusta o registro do passado para que os acontecimentos estejam sempre de acordo com a ideologia oficial. Embora cumpra essa função, Winston alimenta secretamente o desejo de resistir.

O contexto de Orwell

A obra foi escrita depois da Segunda Guerra Mundial, em um período marcado pelo começo da Guerra Fria. O romance expressa a preocupação de Orwell com regimes totalitários, entre eles o nazifascismo e o stalinismo soviético, além do medo permanente de conflitos nucleares.

Foi esse repertório de controle, vigilância e manipulação dos registros que orientou a referência de Mendonça. Ao mencionar o romance, o ministro relacionou a atuação da inteligência da PF sobre integrantes do Judiciário a práticas associadas, na obra, a regimes totalitários.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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