SÃO PAULO — Uma fotografia de Ulysses Guimarães, de 2 anos, e André Montoro, de 5 anos, resgata a memória de dois personagens centrais da redemocratização brasileira. Os meninos são bisnetos de Ulysses Guimarães e André Franco Montoro, nomes associados à Constituição de 1988 e ao movimento Diretas Já.
A imagem foi feita no último sábado, durante a Festa dos Esportes do Colégio Santa Cruz, em São Paulo. Ulysses aparece sorrindo, com uma camiseta do Homem-Aranha, ao lado de André, sentado em uma motoca azul e vermelha que pertence ao menino. O registro familiar ganha outro sentido porque os dois receberam os nomes dos bisavôs.
Ulysses Guimarães presidia a Câmara dos Deputados quando a Constituição de 1988 foi promulgada. André Franco Montoro foi governador de São Paulo e teve participação importante nas Diretas Já, movimento que reivindicava eleições diretas para a Presidência da República no começo da década de 1980. A principal demanda não foi atendida naquele momento: a votação direta para presidente só ocorreu em 1989. Ainda assim, a mobilização popular marcou o fim informal da ditadura civil-militar iniciada com o golpe de 1964.
Memórias de família
Os meninos ainda não compreendem o peso histórico de seus sobrenomes. Para os familiares, porém, a convivência entre os dois também remete às condições democráticas que permitiram aquela cena de liberdade e descontração.
Tito Enrique da Silva, pai de Ulysses, afirma que se lembra do avô sempre que vota: “Toda vez que eu voto, lembro do meu avô”. Ele recorda a promulgação da Constituição, quando era jovem, e também momentos domésticos vividos no Sítio Caipuna, em Juquitiba. Segundo Tito, Ulysses Guimarães jogava bocha e levava os netos à cachoeira.
Paula Franco Montoro guarda lembranças do período em que o avô governava São Paulo. Ela frequentava o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo, e costumava dizer que o avô estava “politicando”.
Quando crescerem, Ulysses e André poderão conhecer a trajetória dos bisavôs e ler o discurso pronunciado na promulgação da Constituição de 1988. Na fala, Ulysses Guimarães afirmou: “temos ódio à ditadura. Ódio e nojo”.


