FRANÇA — A editora canadense Boréal suspendeu as atividades promocionais ligadas a Thélyson Orélien, enquanto a Academia Goncourt retirou o romance C’était ça ou mourir da lista de candidatos ao prêmio literário francês. A decisão ocorreu após denúncias de uso de inteligência artificial e plágio envolvendo a obra.
O livro, conhecido na França como um fenômeno literário e apontado entre os favoritos da temporada de premiações, passou a ser questionado no início da semana. Uma conta anônima no X afirmou que o romance teria sido escrito quase inteiramente com auxílio de inteligência artificial.
Análises e acusações
A Academia Goncourt declarou que se baseou em resultados convergentes de análises realizadas por pesquisadores e jornalistas. Para a entidade, as avaliações indicam que o livro é, muito provavelmente, em grande parte produto de inteligência artificial.
A organização afirmou que a retirada busca preservar a integridade do Prêmio Goncourt e da própria Academia, cuja função é promover e celebrar a literatura escrita por mulheres e homens.
Dois dias depois das primeiras acusações, surgiram denúncias de plágio envolvendo textos publicados há mais de uma década no Canadá. Orélien, que chegou ao país em 2010, também possui nacionalidade haitiana.
Autor diz que responderá depois
Aos 38 anos, o escritor está atualmente na França, onde tinha compromissos previstos para promover o romance. Ele declarou estar pronto para se pronunciar quando a situação se acalmar e afirmou que, além do livro, sua própria voz estaria sendo atacada.
Samuel Fitoussi, ensaísta francês, reconheceu no X ser responsável pela conta anônima que iniciou as acusações. Segundo ele, a iniciativa foi um projeto coletivo. Ao justificar a ação, disse temer que a inteligência artificial provoque o desaparecimento da leitura e da escrita após milênios de uma civilização baseada na escrita.
A controvérsia repercutiu no meio literário francês e abriu discussões internacionais sobre os efeitos da nova tecnologia na indústria editorial.


