Jacob Tremblay volta aos holofotes em um papel distante dos personagens que marcaram sua infância. Prestes a completar 20 anos, o ator interpreta o jovem Ted Kaczynski em Unabomber, filme da Netflix que estreia nesta sexta-feira, 25.
A produção acompanha dois períodos da vida de Kaczynski. Um deles se passa no final dos anos 1950, quando ele era estudante da Universidade Harvard e participou de experimentos psicológicos conduzidos por Henry Murray, interpretado por Russell Crowe. O outro retrata a busca do FBI, em 1996, depois que Kaczynski matou três pessoas e feriu outras 23.
Entre a infância e o novo personagem
Aos 9 anos, Tremblay ganhou destaque por sua atuação em O Quarto de Jack, filme dirigido por Lenny Abrahamson. Na temporada de premiações de 2016, ele venceu um Critics Choice Award, encontrou Leonardo DiCaprio e Steven Spielberg e chamou atenção pelo discurso de agradecimento.
Desde então, participou de produções como Extraordinário e Bons Meninos, além de dublar o protagonista de Luca, da Pixar. Na adolescência, passou a escolher projetos mais discretos, entre eles A Vida de Chuck e Sovereign.
Para o diretor Janus Metz, Tremblay reunia o idealismo e a “curiosidade de olhos abertos” necessários ao personagem. Metz afirmou que decidiu escalá-lo depois de uma única conversa e que não considerou outro ator para o papel. Russell Crowe também destacou a capacidade do colega de representar a passagem entre o menino e o adulto em formação.
Tremblay disse que, embora Kaczynski seja uma figura terrível, conseguiu compreender a experiência de um garoto que ingressou em Harvard com apenas 16 anos e precisava se provar em um ambiente adulto. Para ele, a infância do personagem abre espaço para uma reflexão sobre o que poderia ter sido feito para impedir os acontecimentos posteriores.
Uma trajetória acompanhada pela família
Tremblay começou a fazer testes aos 5 anos, influenciado pela irmã mais velha, Emma, que também atua. Sua irmã mais nova, Erica, igualmente trabalha como atriz. Aos 7 anos, ele enviou um teste em vídeo para O Quarto de Jack e viajou com a família a Los Angeles para conhecer Abrahamson.
O diretor afirmou que encontrou no ator uma criança articulada, capaz de interpretar Jack com realismo. Tremblay não tinha aulas de atuação e disse que imaginou a própria mãe em uma das cenas mais intensas do filme, embora soubesse que se tratava de ficção.
Ele também rejeita a ideia de que o trabalho tenha prejudicado sua infância. Segundo o ator, as experiências na indústria o ensinaram a desenvolver empatia e atenção aos próprios sentimentos. O acompanhamento dos pais e da equipe profissional, afirmou, foi decisivo para que a carreira permanecesse associada a uma atividade prazerosa.
Enquanto Jacob trabalhava, a família continuou morando no Canadá. O pai, Jason, é policial em Vancouver, e a mãe, Christina, é dona de casa. Os pais se revezavam no acompanhamento dos filhos durante as filmagens, e Tremblay frequentava uma escola tradicional quando não estava viajando ou estudando com aulas particulares.
A fama também não alterou completamente sua rotina escolar. A turma assistiu à adaptação de Extraordinário, lançada em 2017, sem transformar a sessão em uma homenagem ao colega. Em 2019, cenas de Bons Meninos foram gravadas na escola do ator, que aproveitou para guardar lanches da produção em seu armário.
Hoje, Tremblay se dedica a ampliar a variedade de seus papéis. Ele gosta de caminhar e montar computadores do zero, cita Leonardo DiCaprio e Christian Bale como referências e deseja voltar à cerimônia do Oscar, onde esteve por causa de O Quarto de Jack.


