Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cultura

Filme acompanha mudanças políticas de quatro brasileiros ao longo de 20 anos

Exibido em Brasília, documentário de Marcos Guttmann observa como o tempo altera convicções, escolhas e leituras sobre a política.

Filme acompanha mudanças políticas de quatro brasileiros ao longo de 20 anos

O documentário Tudo é Tempo, de Marcos Guttmann, acompanha quatro pessoas durante 20 anos e três eleições de Lula para observar como suas convicções políticas se transformam. Exibido no Cine Brasília, o filme foi recebido com aplausos pelo público que lotava a sala.

Heber Cunha, poeta; Carlos Ibrahim, filho de um militante de esquerda e fundador de uma ONG; Cristiane Rosa, médica infectologista; e Fernando Pereira, trabalhador morador da Cidade de Deus, não aparecem como representantes de posições políticas fixas. Suas escolhas oscilam conforme as circunstâncias políticas e econômicas do país.

As entrevistas foram realizadas a cada eleição. Entre um pleito e outro, os personagens continuaram suas vidas e produziram interpretações próprias sobre o que acontecia ao redor. A montagem registra essas alterações de maneira acelerada, sem recorrer à presença de especialistas para organizar ou explicar as conclusões do público.

O projeto começou de forma menos definida. Guttmann chegou a entrevistar mais de 40 pessoas, sem saber exatamente como utilizaria o material. A ideia inicial era acompanhar mudanças individuais ao longo da vida. Entre as referências mencionadas pelo diretor estão Anna dos Seis aos Dezoito, de Nikita Mikhalkov, Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho, e Santiago, de João Moreira Salles.

Aos poucos, o trabalho se concentrou nas mudanças de percepção diante da trajetória política do país. O diretor optou por não incluir o período de Dilma Rousseff, marcado, no relato sobre o filme, pela agitação de 2013, pela contestação da reeleição em 2014, pela prisão de Lula, pela ascensão da extrema-direita e pelo impeachment de 2016, seguido da eleição de Jair Bolsonaro em 2018.

Guttmann afirmou que não havia planejado uma continuidade entre os períodos registrados. Para ele, a ausência desse intervalo pode permitir que os espectadores formulem suas próprias interpretações sobre o processo político apresentado na tela.

Entre os personagens, há quem tenha votado em Lula, passado à oposição e depois retornado ao mesmo campo. Cristiane Rosa foi militante durante a juventude, votou no PSDB quando era uma profissional jovem e, perto dos 60 anos, diz preparar-se para ser “uma velhinha revolucionária”. Heber, confrontado pelo diretor com uma contradição, responde: “Quem não se contradiz já está realizado; não é o meu caso!”

O filme também apresenta Fernando Pereira como uma figura que expressa a influência do tempo sobre as escolhas e as convicções. Ao acompanhar trajetórias que não permanecem estáveis, Tudo é Tempo coloca em dúvida certezas políticas consolidadas e deixa ao público a tarefa de interpretar essas mudanças.

Fundura, de Catapreta, representa Minas Gerais na mostra com um desenho de atmosfera onírica. O curta constrói um personagem desgarrado, associado à própria ancestralidade, e foi descrito como o melhor trabalho apresentado até aquele momento do festival.

Em Cidão, Alessandra Gama reconstrói a história do pai, morto em 1º de maio de 1981 em circunstâncias não esclarecidas. A diretora recorre a lembranças, parentes e a uma Carteira de Trabalho manchada de sangue. O filme foi considerado tocante, embora termine de maneira abrupta.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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