Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Novo filme de André Novais Oliveira leva o realismo ao território do fantástico

“Se Eu Fosse Vivo...Vivia” acompanha um casal de Contagem e transforma o luto e a finitude em matéria de fabulação cinematográfica.

Novo filme de André Novais Oliveira leva o realismo ao território do fantástico

O novo longa-metragem de André Novais Oliveira, Se Eu Fosse Vivo...Vivia, parte de uma história de amor ambientada em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, e conduz seus personagens do registro realista ao fantástico, até se aproximar da ficção científica.

A exibição no Cine Brasília foi acompanhada por filas, formadas por espectadores interessados no título enigmático. O filme começa na década de 1970, quando Gilberto, interpretado por Jean Paulo Campos, e Jacira, vivida por Tainá Evaristo, são jovens namorados. Depois de provocar a ruptura do casal, Gilberto tenta reatar. Faz uma serenata para Jacira e volta a se aproximar dela durante um baile black, embora ela deixe claro que ainda não o perdoou.

A narrativa então avança 50 anos. Gilberto e Jacira continuam juntos e vivem como um casal de idosos, enfrentando consultas médicas, hospitais e problemas de glicemia, colesterol e pressão alta. Na casa de periferia onde moram, com quintal amplo, plantas e árvores, os dois dividem também uma rotina de afeto. Têm uma única filha.

Do cotidiano ao fantástico

Na fase atual dos personagens, Gilberto é interpretado por Norberto Novais Oliveira, pai do diretor. Jacira fica a cargo da escritora Conceição Evaristo. A partir desse ponto, o filme abandona progressivamente a expectativa de uma narrativa realista e passa a organizar sua história em torno de acontecimentos fantásticos, aproximando-se da ficção científica.

O procedimento já havia sido experimentado por André Novais Oliveira no curta Quintal, de 2015, no qual Norberto contracena com Maria José Novais Oliveira, mãe do cineasta. A ideia do novo longa surgiu depois da morte dela. O diretor relaciona a criação ao luto, à reflexão sobre a morte e ao mistério do desaparecimento de uma pessoa querida.

A dimensão fantástica não aparece apenas como recurso narrativo. Ela também expressa a experiência de lidar com uma ausência que, embora pertença à ordem natural da vida, pode parecer irreal quando acontece. Em uma das passagens finais, planos panorâmicos mostram Gilberto em um espaço desolado, associado à solidão, à angústia e à possibilidade de uma esperança que não se submete ao realismo.

Durante o debate, o diretor comentou o estranhamento provocado pela presença do fantástico em um filme negro. Ao mencionar uma observação do crítico Juliano Gomes, André afirmou que o cinema negro muitas vezes não se sentiu autorizado a fabular, submetido a representações centradas na luta antirracista e no realismo.

A defesa do direito de fabular, presente entre André e os integrantes da Filmes de Plástico, aparece no longa como uma forma de liberdade de criação. O que antes fora ensaiado em Quintal ganha agora uma elaboração mais ampla, articulando memória, morte, afeto e imaginação.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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