Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cinema

Filme de André Novais Oliveira transforma o luto em uma delicada história de amor

Premiado no Festival de Brasília, longa acompanha um casal separado pelo adoecimento e pela ausência, entre memória, afeto e realismo mágico.

Filme de André Novais Oliveira transforma o luto em uma delicada história de amor

O luto e a permanência do amor conduzem Se Eu Fosse Vivo… Vivia, longa de André Novais Oliveira que recebeu três prêmios no Festival de Brasília, incluindo o de Melhor Filme, e abriu o 20º CineBH. A história acompanha Jacira e Gilberto, um casal cuja trajetória atravessa décadas de cumplicidade até ser interrompida por uma emergência médica e pela desorientação provocada pela possibilidade da perda.

Nos anos 1970, ainda jovens, Gilberto, interpretado por Jean Paulo Campos, e Jacira, vivida por Thainá Evaristo, passam por uma experiência extraterrestre. Quarenta anos depois, os dois estão idosos e casados. A vida compartilhada aparece nos gestos cotidianos, nas brincadeiras e nas fofocas trocadas entre eles, numa intimidade construída ao longo de uma existência comum.

A mudança acontece quando Jacira, interpretada na velhice por Conceição Evaristo, passa mal na rua e precisa ser levada ao hospital. Gilberto, vivido por Norberto Novais Oliveira, fica sem rumo e começa a vagar pelas ruas, incapaz de encontrar o caminho de volta para casa. A perda, antes anunciada como possibilidade, passa a ocupar o espaço físico e emocional do personagem.

Três tempos de uma mesma história

A direção e o roteiro de André Novais Oliveira avançam sem pressa, com respeito, sensibilidade e delicadeza. O filme parte da experiência do próprio diretor diante do luto e da ausência provocados pela perda de sua mãe. Essa origem pessoal não transforma a obra em confissão direta, mas dá forma a uma narrativa sobre o vazio deixado por alguém que organizava a vida ao redor.

A estrutura divide a relação de Jacira e Gilberto em três momentos. A juventude surge marcada por cores e música. A velhice ganha tons pastéis, acompanhando uma rotina afetuosa, feita de café da tarde, bolinho e convivência desapressada. Depois da perda, a luz parece desaparecer: o plano se abre, e Gilberto se mistura à paisagem, como se sua própria identidade também tivesse sido suspensa.

Metáforas e analogias conduzem essa passagem entre os tempos. O sentido do filme se constrói gradualmente, sem buscar um impacto imediato. Por isso, a música-tema, Esquecer de Tudo, de Hyldon, ocupa um lugar decisivo ao final. A letra se articula à trajetória de Jacira e Gilberto e ajuda a reunir as camadas de uma história que fala de amor, saudade e do que permanece quando a presença já não pode ser recuperada.

Se Eu Fosse Vivo… Vivia combina realismo mágico mineiro e ficção científica latino-americana para transformar a despedida em uma experiência de acolhimento. É um filme sobre a dor irreparável da ausência, mas também sobre a possibilidade de reconhecer, na memória, a continuidade de um vínculo.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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