O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro inicia sua 59ª edição com A Pele Morta, longa dirigido por Bruno Fatumbi Torres e Denise Moraes. O filme deveria ser conduzido pelo cineasta Geraldo Moraes, pai dos realizadores, mas passou às mãos dos filhos após sua morte. A abertura, por isso, é marcada pela continuidade de um projeto familiar e pela expectativa de uma noite de emoção.
A realização do festival chegou a ser ameaçada em 2026. O BRB (Banco de Brasília), um dos financiadores do evento, aparece envolvido no caso Máster, e o cancelamento chegou a ser anunciado antes de ser desmentido no mesmo dia pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão. Criado em 1965 por Paulo Emílio Sales Gomes e sua equipe, o evento é apresentado como o primeiro festival de cinema do país e chegou a ser interrompido durante três anos pela pressão da censura na ditadura militar.
Ao longo de sua história, o festival construiu uma identidade política e se tornou referência para acompanhar diferentes momentos do cinema brasileiro. O Cine Brasília, projetado por Oscar Niemeyer, ocupa esse percurso como espaço central das sessões e dos debates. A programação também preserva uma tradição de encontro entre cineastas, críticos, público e jornalistas, embora o ambiente atual seja descrito como mais contido e vigiado.
A mostra competitiva principal reúne sete longas e doze curtas. A Mostra Brasília apresenta quatro longas dedicados à produção local, enquanto a programação inclui a Mostra Calidoscópio, sessões especiais e a pré-estreia da série Delegado, dirigida por Marcelo Lordello e Leonardo Lacca. Ao todo, são 71 filmes e mais a série.
Entre os longas da competição nacional estão Ana, En Passant, de Fernanda Salgado; Pequenas Tragédias, de Daniel Nolasco; Privadas de Suas Vidas, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner; Sabes de Mim, Agora Esqueça, de Denise Vieira; Se Eu Fosse Vivo... Vivia, de André Novais Oliveira; Todo o Sentimento, de Ary Rosa e Glenda Nicácio; e Tudo É Tempo, de Marcos Guttman.
A programação ainda inclui mostras dedicadas à história do cinema brasileiro, com trabalhos contemporâneos e clássicos, além do Festival dos Festivais. Entre os títulos anunciados estão Brasília Segundo Feldman, de Vladimir Carvalho, Um Céu de Estrelas, de Tata Amaral, e Flora e Airto: O Som Revolucionário, de Jom Tob Azulay.


