Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ideias, cultura e reportagem
Cultura

Fantasia, edições especiais e mundos complexos impulsionam livros volumosos

Na Bienal de São Paulo, leitores associam os livros extensos ao envolvimento com a história e ao prazer de colecionar edições especiais.

Fantasia, edições especiais e mundos complexos impulsionam livros volumosos
Foto: Werther Santana/Estadão

O tamanho deixou de ser um obstáculo para parte dos leitores que circulam pela Bienal do Livro de São Paulo 2026. Entre os títulos mais procurados nos estandes, aparecem romances com 500 páginas ou mais, frequentemente publicados em edições de capa dura, pintura lateral, hot stamping e fitilho. Para jovens leitores, o volume pode estar ligado tanto à complexidade dos universos de fantasia quanto ao apelo visual dos livros físicos.

O dicionário Michaelis define calhamaço como um caderno ou livro muito volumoso, com grande quantidade de páginas. No uso cotidiano dos leitores, a palavra passou a designar obras de 500, 600 ou até mil páginas. Na Bienal, que termina neste domingo, 13, no Anhembi Distrito, esses livros figuram entre os destaques comerciais de diferentes editoras.

Quando o tamanho faz parte da experiência

A estudante de engenharia mecânica Sophia Nicodemos, de 23 anos, parou diante de um espaço cenográfico dedicado à série Quarta Asa, de Rebecca Yarros. A instalação tinha um dragão, fumaça e efeitos sonoros. A coleção conta com três volumes de destaque: o primeiro tem 544 páginas; o segundo, 784; e o terceiro, 656.

Sophia leu todos os livros da série e diz que costuma acompanhar coleções extensas. Para ela, a quantidade de páginas não determina a dificuldade da leitura. “Acho que quando a história te envolve, você não vê o tempo passando”, afirmou. Quando está muito interessada em uma narrativa, ela consegue concluir um livro de 500 páginas em até três dias.

A leitora afirma que a fantasia e os elementos místicos despertam seu interesse. Também considera importante a existência de uma descrição acessível, capaz de transmitir com clareza aquilo que o autor pretende apresentar. Quarta Asa acompanha Violet, enviada para treinar em uma escola de elite destinada a cavaleiros de dragões.

Romantasia e edições colecionáveis

As chamadas romantasias — histórias que combinam universos fantásticos e relações amorosas — permanecem entre os gêneros de maior presença na Bienal. A série de Rebecca Yarros tinha ao menos três versões diferentes e colecionáveis no estande da Planeta.

Outro destaque foi Alchemised, de SenLinYu. O romance tem 960 páginas e reúne magia, violência, romance e uma guerra brutal. A vendedora Bárbara Melo, de 25 anos, pesquisava o preço do livro no estande da Intrínseca e afirmou: “Esse é meu ponto fraco, acho maravilhoso, por isso estou pesquisando.” A obra esteve entre os destaques da editora durante o evento e foi apresentada na Bienal entre os dias 11 e 12 de setembro.

A série Assistente do Vilão, de Hannah Nicole Maehrer, também aparece nesse cenário. Publicados pelo selo Alt, voltado ao público mais jovem, os quatro volumes têm entre 500 e 600 páginas e entraram na lista de mais vendidos do grupo. O primeiro livro era comercializado em duas edições no estande da Globo Livros.

Em comum, essas obras têm versões tradicionais e alternativas mais elaboradas. A combinação entre acabamento gráfico e extensão transforma o livro em um objeto que pode ser lido, exibido e colecionado. A presença do BookTok e a circulação da leitura nas redes sociais reforçam essa dimensão do livro físico.

Mais páginas, universos mais amplos

Marcela Brandão, de 28 anos, estava no estande da HarperCollins Brasil para comprar A Canção dos Dragões Perdidos, continuação de O Despertar da Lua Caída, de Sarah A. Parker. A romantasia tem 624 páginas em uma edição de capa dura com pintura trilateral. Para Marcela, o número de páginas não é decisivo: a história vem antes do tamanho. Ela também cita Império do Vampiro, de Jay Kristoff, entre seus calhamaços favoritos. O livro tem 976 páginas, e o autor era um dos destaques da Plataforma 21 na Bienal.

A estudante de psicologia Luiza Helena Liebl, de 21 anos, associa os livros de fantasia à possibilidade de desenvolver histórias e universos mais complexos. Ela menciona O Priorado da Laranjeira: A Maga, de Samantha Shannon, publicado pela Plataforma 21, como uma obra extensa que a envolveu especialmente pela forma de escrita da autora.

A edição atual da Bienal termina neste domingo, 13, no Anhembi Distrito, com romances de fantasia, romantasias, séries e edições especiais entre os livros que atraem os leitores. Para esse público, o calhamaço não é necessariamente um teste de resistência: pode ser a porta de entrada para uma história longa ou parte da experiência de possuir uma obra visualmente elaborada.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.