O drama histórico Woman Unknown, dirigido pela dinamarquesa May el-Toukhy, recebeu o Leão de Ouro, principal prêmio do Festival de Cinema de Veneza, neste sábado, 12. A cerimônia também reconheceu as produções brasileiras London e Retorno a Buenos Aires em diferentes categorias.
A obra vencedora acompanha uma empregada doméstica que sobreviveu à ocupação nazista na Dinamarca durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ela deseja se casar com o viúvo para quem trabalha, mas continua marcada pelo próprio passado.
A premiação ocorreu em uma edição que recebeu críticas pela suposta baixa presença de diretoras mulheres na competição. Além de May el-Toukhy, a israelense Rachel Szor concorreu com NAZA, documentário codirigido por Yuval Abraham.
Outros premiados
NAZA ficou com o prêmio especial do júri. O documentário trata da morte de civis palestinos na faixa de Gaza, no Oriente Médio. A produção foi recebida com 25 minutos de aplausos. Rachel Szor e Yuval Abraham também assinaram Sem Chão (2024), vencedor recente do Oscar de Melhor Documentário.
O Leão de Prata, segundo prêmio mais importante do festival, foi para Possible Love, de Lee Chang-dong. O filme sul-coreano apresenta uma crítica social ligada a demissões em massa. Já Ilya Khrzhanovsky venceu como melhor diretor por Dau, épico histórico sobre o totalitarismo da União Soviética visto a partir da trajetória do físico Lev Landau.
John Malkovich, ausente da cerimônia, foi escolhido como melhor ator por interpretar um agente da CIA em Wild Nine Horse.
Produções brasileiras
Coprodução entre Brasil e Itália, Retorno a Buenos Aires recebeu os prêmios Francesco Pasinetti de melhor filme e melhor ator. O troféu de atuação foi concedido a Adriano Giannini.
A trama acompanha Mariano Guerra, médico italiano convocado a depor em um tribunal argentino durante o julgamento dos militares que o sequestraram e torturaram no período ditatorial do país. A produção teve filmagens em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, durante cerca de um mês, com a participação de André Ristum, Cibele Amaral e Eduardo Antunes.
London, dirigido por Victor di Marco e Márcio Picoli, recebeu o Leão Queer, dividido com Queer Edward II. O prêmio reconhece obras com temática LGBTQ+.


